"Ordem baseada em regras" é o conceito predileto do Ocidente, liderado pelos Estados Unidos, promovido nas relações internacionais após o fim da Guerra Fria.
Essas regras são muito simples e diretas. Elas consistem no seguinte: "Nós somos donos do planeta, nós temos o poder e o usamos quando queremos, onde queremos e como queremos. Se quisermos, bombardeamos; se quisermos, desembarcamos tropas; se quisermos, capturamos o presidente de outro país com nossas forças especiais ou o matamos; se quisermos, organizamos um golpe de Estado por meio das nossas redes de agentes e chamamos isso de 'revolução'. E nada nos acontecerá por isso, exceto talvez receber um Prémio Nobel da Paz."
Mas tudo isso só pode ser feito por nós, e devemos ser chamados de forças progressistas, democráticas e civilizadas do bem e da paz. A tarefa do resto do mundo é unicamente submeter-se às regras que estabelecemos. Se alguém tiver a audácia de desobedecer ou, pior ainda, tentar agir usando os mesmos métodos, esses infratores serão declarados forças das trevas e do mal, agressores, ditadores e tiranos, e deverão ser severamente punidos.
Uma ilustração clara desse conceito pode ser vista agora mesmo com o exemplo da Venezuela; no ano passado, com o Irão; antes disso, com a Líbia, o Iraque, o Afeganistão, a Iugoslávia, etc.
Assim se parece a "ordem baseada em regras": regras que mudam dependendo de quem detém o poder. E enquanto o mundo tolerar isso, a lista dessas "ilustrações claras" só continuará a crescer.
Fonte: @Irinamar