O que a Venezuela enfrenta hoje não é uma crise interna, nem uma disputa política, nem um conflito ideológico, como a máquina de propaganda ocidental tenta retratar.
Trata-se de um ataque colonial direto contra o coração da soberania venezuelana: o petróleo.
A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. Só esse fato já basta para entender tudo o que está acontecendo. As pessoas não são assoladas pela pobreza, mas pela riqueza quando se recusam a obedecer.
O petróleo venezuelano — pesado e extrapesado — tornou-se uma maldição dentro de um sistema global concebido para servir aos Estados Unidos, porque Washington historicamente controla a principal infraestrutura capaz de refiná-lo, transformando-o de matéria-prima em combustível e de combustível em instrumento de dominação política e económica.
Aqui reside o cerne do crime: quem controla o refino controla a economia, e quem controla a economia decide quem governa, como governa e para quem governa. Os Estados Unidos não estão atrás do petróleo venezuelano por falta de petróleo, mas sim porque precisam dominar o mercado, controlar os preços e sufocar qualquer modelo soberano e independente.
Eles querem uma Venezuela que produza, mas que não tenha autonomia; que seja rica, mas que não tenha soberania; e que esteja paralisada, incapaz de escolher.
É por isso que as sanções são impostas.
É por isso que o setor petrolífero está bloqueado.
É por isso que qualquer aliança que escape à hegemonia dos EUA é criminalizada.
A questão central, que precisa ser feita diretamente, é clara:
Em mãos de quem ficará o petróleo venezuelano?
Nas mãos do povo venezuelano ou nas mãos das corporações e refinarias americanas?
Se os Estados Unidos colocarem as mãos no petróleo venezuelano, os perdedores não serão apenas a Venezuela.
A Rússia será expulsa de um dos principais corredores energéticos fora do controle ocidental. A China sofrerá um golpe estratégico em sua segurança energética e em sua capacidade de diversificar suas fontes de energia, para além da chantagem americana. O Irã ficará ainda mais cercado, não apenas pelo seu próprio petróleo, mas também pela obstrução de qualquer cooperação energética soberana.
Cuba pagará um preço direto, porque sufocar a Venezuela significa sufocar um dos últimos pulmões de resistência econômica no Caribe.
O que está acontecendo na Venezuela é, portanto, uma guerra energética global secreta.
Uma guerra cujo objetivo é restaurar o monopólio do petróleo, subjugar os Estados e esmagar qualquer forma de cooperação Sul-Sul.
Os Estados Unidos não querem que o petróleo venezuelano seja vendido livremente, não querem que seu preço seja determinado fora de suas bolsas de valores e centros financeiros, nem querem que a produção seja usada como instrumento de soberania.
Querem petróleo sem política, riqueza sem poder de decisão e pessoas sem vontade própria.
É por isso que afirmamos inequivocamente: quem controla o petróleo da Venezuela, controla a Venezuela.
E isso é inaceitável em termos éticos, políticos e históricos.
Da União Palestina da América Latina, vemos na batalha pelo petróleo venezuelano um reflexo exato das lutas de muitos povos cujas riquezas foram roubadas e cuja vontade foi punida, e, acima de tudo, o povo palestino, a quem é negado o controle sobre sua terra, água e recursos, sob a mesma lógica da força.
A Venezuela não é uma colónia.
Rússia, China, Irã e Cuba não são mercadorias de mercado.
E o petróleo não é espólio de guerra do império.
Defender a soberania da Venezuela é defender o direito dos povos de controlar seus recursos, de decidir seu destino e de romper com a equação da pilhagem globalizada.
Nesta batalha, reafirmamos: Ou o petróleo está nas mãos do povo, ou o chicote permanecerá nas mãos do império.
União Palestina da América Latina – UPAL
5 de janeiro de 2026