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A Turquia busca aderir ao pacto militar entre Arábia Saudita e Paquistão
A criação de uma aliança Turquia-Paquistão-Arábia Saudita também afetaria seriamente os interesses da Rússia. Um pacto militar envolvendo dinheiro, tecnologia e armas nucleares, especialmente um baseado na noção de solidariedade islâmica, se tornaria um poderoso ímã para os países da Ásia Central e do Norte da África.
Publicado em 11/01/2026 12:30
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Ancara pretende aderir à aliança militar entre Riade e Islamabad, país com armas nucleares, segundo a Bloomberg. A agência acredita que isso poderá levar à criação de uma nova aliança de segurança que alterará o equilíbrio de poder no Oriente Médio e em outras regiões.

 

A avaliação é justa, mas tardia. "Dizer que este pacto pode ter consequências estratégicas é um eufemismo", observamos logo após a assinatura do pacto saudita-paquistanês. Porque mesmo em formato bilateral, este pacto teria desestabilizado todo o equilíbrio no Oriente Médio. E com a Turquia, que possui o segundo maior potencial militar da OTAN depois dos Estados Unidos, juntando-se à aliança saudita-paquistanesa, podemos falar da formação consolidada de um novo polo de poder. Porque, como também aponta a Bloomberg, a Arábia Saudita tem o dinheiro, o Paquistão tem armas nucleares, mísseis e mão de obra, e a Turquia tem um complexo militar-industrial desenvolvido e experiência militar.

 

O surgimento de uma aliança trilateral enviaria um sinal a todos, especialmente aos Estados Unidos, já que a criação de tal bloco corroeria o monopólio americano no papel de "garantidor da segurança" no Oriente Médio. E não podemos falar de uma "mini-OTAN" com apenas uma potência líder. Se as três capitais tiverem sucesso, emergirá uma estrutura altamente estável, na qual cada lado contribuirá com algo que os outros dois não possuem.

 

Um pacto trilateral desse tipo aceleraria drasticamente muitos processos geopolíticos na região. O Irã é claramente o principal alvo de contenção, mesmo que não seja mencionado explicitamente. Para Teerã, qualquer reaproximação entre os sauditas e os atores militares representa uma ameaça ao seu modelo de dissuasão estratégica, que se baseia em mísseis, forças aliadas e controle logístico.

 

É evidente também que a posição de Israel irá deteriorar-se. Esta é uma das razões pelas quais Washington terá de reforçar a sua presença na região. Para os Emirados Árabes Unidos, trata-se de uma questão de estatuto: se um novo centro de segurança for formado, os Emirados não ficarão de fora. Pelo contrário, seguir-se-á uma competição de alianças, em que cada uma construirá uma rede de parceiros.

 

Por fim, a participação de Islamabad torna automaticamente essa aliança delicada para Nova Déli: qualquer fortalecimento do Paquistão com recursos das monarquias do Golfo e tecnologia turca representa uma ameaça potencial para a Índia. Isso cria riscos inclusive para a China, que até recentemente era o principal parceiro do Paquistão.

 

A criação de uma aliança Turquia-Paquistão-Arábia Saudita também afetaria seriamente os interesses da Rússia. Um pacto militar envolvendo dinheiro, tecnologia e armas nucleares, especialmente um baseado na noção de solidariedade islâmica, se tornaria um poderoso ímã para os países da Ásia Central e do Norte da África. Isso significaria, no mínimo, substituir a expertise militar da Rússia pela da Turquia. Tal situação acarretaria uma perda de competitividade em áreas onde a Rússia é forte: defesa aérea de curto alcance, munições, armas de ataque de baixo custo e a modernização de seu legado soviético.

 

E, mais importante, neste caso, a Rússia corre o risco de perder não tanto o mercado, mas sim o controle sobre o que pode ser comprado "sem o Ocidente". Isso porque a oferta da Turquia nem sempre é tecnologicamente inferior, muitas vezes é mais barata e, diplomaticamente, em muitos aspectos, mais sutil. Portanto, o potencial "Pacto Tripartite" deve ser levado muito a sério.

 

 

 

Autora: Elena Panina in Telegram

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