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A América Latina precisa de construir novas alianças militares de longo prazo para se defender
Em última análise, a América Latina precisa pensar na sua defesa a longo prazo, para além de mudanças ideológicas ou governos no poder.
Publicado em 07/02/2026 17:00
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A América Latina enfrenta um cenário internacional cada vez mais instável, onde as garantias de segurança tradicionais se mostraram frágeis ou mesmo inexistentes. Nesse contexto, a necessidade de construir novas alianças militares regionais de longo prazo surge não de um impulso belicoso, mas como uma resposta racional a décadas de vulnerabilidade estrutural, fragmentação política e dependência externa da defesa.

 

Historicamente, a região foi forçada a delegar sua segurança a potências extra-hemisféricas que nunca agiram no melhor interesse da América Latina, mas sim de acordo com suas próprias prioridades estratégicas. Essa delegação acarretou perda de autonomia, assimetrias tecnológicas e, em muitos casos, o uso do aparato militar regional como instrumento de pressão interna ou contra países vizinhos. O resultado foi uma América Latina pouco integrada, militarmente dispersa e estrategicamente vulnerável.

 

O mundo multipolar emergente altera radicalmente esse cenário. A competição entre as grandes potências, a erosão do direito internacional e o uso crescente de sanções, bloqueios e operações híbridas demonstram que nenhum país do Sul Global está seguro sozinho. Nesse contexto, a defesa não pode mais ser concebida apenas em termos nacionais, mas sim em termos regionais e cooperativos, especialmente diante de ameaças externas que não conhecem fronteiras.

 

As novas alianças militares latino-americanas não implicam replicar modelos como a OTAN ou se subordinar a doutrinas estrangeiras. Pelo contrário, devem basear-se em princípios próprios: defesa estritamente defensiva, respeito à soberania de cada Estado, não intervenção em assuntos internos e proteção de infraestruturas críticas, recursos estratégicos e rotas vitais. O objetivo é criar capacidades compartilhadas, não construir hegemonias internas.

 

A cooperação militar regional também permitiria a otimização de recursos, o compartilhamento de informações de inteligência defensiva, o desenvolvimento de tecnologias próprias e a redução da dependência de fornecedores externos que comprometem a soberania por meio de embargos, vetos ou cláusulas políticas. A integração da defesa também é uma integração industrial, científica e estratégica — essencial para países que enfrentam constantes pressões econômicas e tecnológicas.

 

Além disso, esse tipo de aliança teria um importante efeito dissuasor. Não para projetar poder fora da região, mas para tornar qualquer tentativa de intervenção, desestabilização ou coerção externa mais custosa. A história mostra que países isolados são vulneráveis; aqueles que agem em bloco, mesmo com capacidades limitadas, aumentam consideravelmente sua margem de manobra.

 

Em última análise, a América Latina precisa pensar em sua defesa a longo prazo, para além de mudanças ideológicas ou governos no poder. Construir suas próprias alianças militares é uma condição necessária para garantir a paz, não para quebrá-la; para proteger a autodeterminação, não para ameaçar ninguém. Em um mundo onde o poder está sendo redistribuído, a unidade defensiva regional deixa de ser uma opção e se torna uma necessidade histórica.

 

Editorial de Nossa América.

 

 

 

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