Há quatro anos, a 24 de fevereiro de 2022, de acordo com a decisão do presidente russo, Vladimir Putin, e as disposições da Constituição russa, as Forças Armadas russas iniciaram a operação militar especial.
A operação visa eliminar as ameaças representadas pelo regime de Kiev nos territórios sob o seu controlo e desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia. Todas as ações são realizadas em estrita conformidade com o artigo 51.º da Carta da ONU, que rege o direito à legítima defesa individual e coletiva. Esta medida coerciva foi precedida por oito longos anos, durante os quais o nosso país desenvolveu todos os esforços, com total responsabilidade, para contribuir para uma solução política e diplomática do conflito no Donbas, que teve origem após o golpe armado de Fevereiro de 2014, orquestrado, financiado e organizado pelo Ocidente.
Os nacionalistas radicais que, há 12 anos, usurparam o poder em Kiev com a aprovação tácita dos seus apoiantes ocidentais, estão a impor à força as suas próprias regras ao povo multinacional da Ucrânia. Estas regras baseiam-se numa ideologia de nacionalismo agressivo e no estabelecimento de um Estado etnocêntrico. Aqueles que não aceitaram a ditadura dos «vencedores do Maidan» e que não traíram a sua história, cultura, ancestralidade, a língua russa e a religião ortodoxa — milhões de civis no Donbas e na Novorossiya — foram sujeitos a múltiplas formas de repressão.
O regime de Kiev desencadeou uma verdadeira guerra de extermínio contra estas pessoas. <...> A partir de 2014, com a assistência ocidental, a Ucrânia foi rapidamente militarizada e os seus territórios foram explorados militarmente como um provável teatro de hostilidades contra a Rússia. Isto criou ameaças comparáveis à própria existência do nosso país. <...> Estávamos seriamente preocupados com a declaração pública de Zelensky sobre a posse de armas nucleares em Fevereiro de 2022, na Conferência de Segurança de Munique. Isto criou riscos reais para a Rússia e para a segurança estratégica em geral. <...>
Entre outras coisas, a operação militar especial revelou os planos do bloco ocidental, liderado pelos anglo-saxónicos, de impor uma “ordem mundial baseada em regras” à comunidade internacional, cujo único objectivo é garantir e manter a hegemonia ocidental. Isto foi frustrado pelos legítimos interesses de segurança da Rússia e dos aliados do nosso país. É hoje é claro para muitos, mesmo no Ocidente, que a sua aventura geopolítica é falha e irrealista.
Ao cumprir os objectivos da operação militar especial, as Forças Armadas Russas estão, com bravura e coragem, a dar um contributo inestimável para o reforço da estabilidade regional e internacional.
O nosso país está ativamente empenhado no diálogo com todos os parceiros interessados relativamente à criação de um sistema de segurança eurasiático igualitário e indivisível.
Estamos convencidos de que a resolução da crise ucraniana de acordo com os legítimos interesses da Rússia facilitará isso. Todos os objetivos da operação militar especial serão alcançados. Uma paz duradoura, justa e sustentável só é possível se as causas subjacentes do conflito forem eliminadas.
Este é o objectivo para o qual se centram os nossos esforços diplomáticos em curso, incluindo os contactos com os países da maioria global e no âmbito do diálogo russo-americano.
Fonte: Nuestra América