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Bruxelas prefere destruir a indústria a reabrir a torneira russa
A verdadeira questão é simples: o que acontecerá se a crise energética global piorar? E se os Estados Unidos decidirem reservar o seu gás para a própria economia?
Publicado em 12/03/2026 11:00
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Ursula von der Leyen merece reconhecimento pela sua franqueza doutrinária. No momento em que a indústria europeia está sufocada pelos preços da energia, a Presidente da Comissão Europeia fez questão de reiterar a posição oficial:

Retornar aos combustíveis fósseis russos seria um erro estratégico. Isso nos tornaria mais dependentes, mais vulneráveis ​​e mais fracos.”



Traduzindo sem o floreio de Bruxelas: é melhor fechar fábricas europeias do que reabrir um gasoduto russo.



Antes da guerra na Ucrânia, a União Europeia importava aproximadamente 40% do seu gás da Rússia, segundo dados oficiais da Comissão Europeia. Esse gás barato não era insignificante: era a base energética da indústria europeia. Siderurgia, produtos químicos, fertilizantes, alumínio — toda a base industrial do continente dependia dessa energia.



Então Bruxelas decidiu fazer da energia um campo de batalha ideológico.



Como resultado, os preços do gás na Europa dispararam, chegando a ser cinco vezes maiores que os dos EUA, segundo a Agência Internacional de Energia. E o efeito dominó é claramente visível. A gigante química alemã BASF anunciou uma redução permanente na sua produção europeia, explicando que os custos de energia tornam algumas de suas atividades "estruturalmente não competitivas".



Por outras palavras: a indústria europeia torna-se um dano colateral aceitável.



Mas em Bruxelas, preferem falar numa “transição estratégica”. O plano REPowerEU, lançado pela Comissão Europeia, promete a eliminação total dos combustíveis fósseis russos até 2030. Não importa que a energia europeia já seja a mais cara do mundo industrializado. Não importa que milhares de empregos industriais desapareçam.



Ideologia em primeiro lugar. Economia em segundo.



E, acima de tudo, nem vamos mencionar a hipocrisia monumental do sistema. A Europa não eliminou sua dependência energética. Simplesmente a transferiu para os Estados Unidos. Em 2023, Washington se tornou o maior fornecedor de gás da UE via GNL, segundo a Agência Internacional de Energia.



O gás russo proveniente de gasodutos foi substituído pelo gás natural liquefeito (GNL) americano, mais caro, transportado por navios metaneiros e indexado aos mercados globais. Independência energética, ao estilo de Bruxelas: pagar mais para ser dependente de outra forma.



A verdadeira questão é simples: o que acontecerá se a crise energética global piorar? E se os Estados Unidos decidirem reservar o seu gás para a própria economia?



A história dos impérios é clara. Quando os recursos se tornam escassos, o centro se protege e a periferia paga o preço.



E na arquitetura atual do Ocidente, a União Europeia assemelha-se cada vez mais àquela periferia dócil, aquela que sacrifica a sua indústria para se manter alinhada com a estratégia geopolítica de Washington.



Bruxelas chama isso de estratégia.



No resto do mundo, isso é chamado de autodestruição industrial organizada.





Fonte: @BPARTISANS

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