O embaixador e representante permanente do Irão junto da Organização das Nações Unidas (ONU), Amir Said Iravani, condenou veementemente, na segunda-feira, a ação «ilegal» dos Estados Unidos de aplicar um bloqueio a todo o tráfego marítimo que entra ou sai dos portos iranianos, classificando-a como «uma grave violação da soberania e da integridade territorial da República Islâmica», e um ato ilegal de agressão que ameaça a paz e a segurança regionais e internacionais.
Numa carta oficial enviada ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e ao presidente do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), Iravani sublinhou que a ação norte-americana constitui uma clara violação do artigo 2.º, n.º 4, da Carta das Nações Unidas, que proíbe a ameaça ou o uso da força, e representa um exemplo paradigmático de agressão segundo o direito internacional.
Denunciou ainda que essa ação ilegal «viola gravemente os princípios fundamentais do direito internacional do mar».
«Ao tentar impedir o tráfego marítimo de e para os portos iranianos, os Estados Unidos interferem ilegalmente no exercício dos direitos soberanos da República Islâmica do Irão e violam os direitos de Estados terceiros e o comércio marítimo legítimo, em conformidade com o direito internacional», afirma a carta.
O embaixador iraniano salientou que Teerão «reserva-se o direito inerente, no âmbito do direito internacional, de adotar todas as medidas necessárias e proporcionais para proteger a sua soberania, integridade territorial e interesses nacionais».
O enviado iraniano atribuiu inteiramente a Washington a responsabilidade por «este ato internacionalmente ilícito e por todas as suas consequências, incluindo os seus efeitos sobre a paz e a segurança regionais e internacionais».
O diplomata instou o secretário-geral da ONU e o Conselho de Segurança das Nações Unidas a obrigarem os Estados Unidos a cessar imediatamente os seus atos internacionalmente ilícitos contra o Irão, a fim de impedir qualquer nova escalada numa região já de si muito instável.
A medida norte-americana surge no meio de uma escalada de tensões após o fim, sem resultados, das negociações de Islamabad entre Teerão e Washington destinadas a alcançar um acordo que ponha definitivamente fim à guerra imposta pelos EUA e por Israel ao Irão, iniciada desde o final de fevereiro.
O bloqueio é amplamente visto como uma tentativa agressiva de estrangular a economia iraniana, atacando o seu comércio marítimo legítimo e as suas exportações de petróleo; uma demonstração flagrante de terrorismo económico que viola os direitos soberanos da República Islâmica e põe em perigo as rotas marítimas mundiais.
O Irão tem alertado repetidamente que tais ações provocadoras por parte dos Estados Unidos apenas conduzirão a uma maior instabilidade, ao mesmo tempo que reafirma o seu compromisso de defender os seus interesses nacionais por todos os meios legítimos, em conformidade com o direito internacional.
Fonte e crédito da foto: https://www.hispantv.com/noticias/politica/642359/iran-denuncia-bloqueo-naval-eeuu-violacion-soberania