Autor: Raul Carrion, 17.04.26
Em 17 de abril de 1961, há exatos 65 anos, os desde sempre traiçoeiros Estados Unidos da América - na ocasião governados pelo "democrata" John Kennedy - iniciaram a invasão armada de Cuba, com o objetivo de derrotar a revolução e colocar no lugar de Fidel um titere dos EUA.
O bombardeio dos aeroportos cubanos e o desembarque na "Bahia dos Porcos" (Playa Girón e Playa Larga) - com apoio naval e aéreo estadunidense - de cerca de 1400 mercenários cubanos, treinados nos EUA, tinham o objetivo de criar uma "cabeça de ponte", que estabeleceria um governo provisório "libertador", que em seguida solicitaria a intervenção militar dos EUA, que atenderiam a esse pedido com a maior alegria...
Só que a pronta resposta das Forças Armadas de Cuba - lideradas pessoalmente por Fidel Castro - derrotaram em menis de 72 horas a invasão, inviabilizando o traiçoeiro plano estadunidense.
Submetidos a julgamento, 5 dos atacantes sobreviventes foram condenados à pena de morte, 9 à pena de 30 anos de prisão e os demais foi-lhes dado o direito de optar entre pagar 62 milhões de dólares, como indenização pelos prejuízos causados, ou cumprir 30 anos de prisão.
Prontamente, os EUA - reconhecendo na prática a sua responsabilidade na agressão à Cuba - se propuseram a pagar essa indenização.
Depois de longas negociações, Cuba aceitou que os EUA pagassem esses 62 milhões de dólares em alimentos e remédios para as crianças cubanas e libertou os apátridas prisioneiros.
Como afirmou Fidel após a vitória: "O imperialismo ianque sofreu na America a sua primeira grande derrota!"
A seguir, texto do professor e jornalista brasileiro Ernesto Germano Parés que relata esses acontecimentos.
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PLAYA GIRÓN – A GRANDE DERROTA DOS EUA!
Ernesto Germano Parés
Na manhã do dia 1 de janeiro de 1959 os revolucionários comandados por Fidel Castro entraram vitoriosos em Havana. A Revolução Cubana era uma realidade para o mundo.
Em 1961, poucos dias depois de assumir a presidência dos EUA, John F. Kennedy (tão amado pela burguesia e por liberais) autorizava um plano para invadir Cuba e destruir a Revolução, depondo Fidel Castro. Para isso seria usado um grupo de exilados cubanos que estava sendo treinado e dirigido pela CIA. O “plano” ganhou o nome de “Operação Mangusto”.
O plano original foi apresentado ao Conselho de Segurança Nacional (NSC) no dia 17 de março de 1960. Imediatamente recebeu o apoio do então presidente Dwight D. Eisenhower. O objetivo primário do plano era “substituir Fidel por um líder que atendesse mais aos interesses do povo cubano e que fosse simpatizante dos Estados Unidos”. Foi determinado também que as operações, apesar de receber apoio, não contariam com envolvimento direto dos militares estadunidenses.
A CIA havia treinado 1.297 exilados cubanos para a invasão. Os exercícios para a invasão tiveram início em abril de 1960 e os mercenários usaram inicialmente a base da Guarda Aérea Nacional do Alabama para seus treinamentos com artilharia. Os exercícios aéreos foram feitos com aviões da Força Aérea da Guatemala e os treinamentos de desembarque foram realizados na ilha Vieques, em Porto Rico. Treinos para demolições e técnicas de infiltração foram feitos em Belle Chasse, Nova Orleans.
Acontece que Fidel, alertado por Che Guevara que conhecia um ataque feito pelos EUA contra a Guatemala, esperava algum golpe. Só para constar, até então a Revolução Cubana ainda não tinha um caráter socialista. Era uma revolução democrática para depor um ditador que estava no poder garantido pela política estadunidense: Fulgêncio Batista.
No dia 16 de abril de 1961, em um discurso em Havana, Fidel Castro anuncia pela primeira vez o caráter socialista do movimento. No dia seguinte tem início a invasão comandada pelos EUA.
Um mês antes, antecipando a possibilidade de uma invasão, Che Guevara defendeu a ideia de armar a população e criar milícias de defesa de Cuba. Diante do Parlamento cubano, Che teria dito que: “todo o povo cubano é convidado a integrar a guerrilha urbana; todo cidadão deve saber como usar uma arma de fogo para defender a nação”!
Em abril de 1961 Fidel era o Comandante em Chefe das Forças Armadas de Cuba. Raul Castro era o comandante do Exército Leste, com base em Santiago de Cuba; Che era o comandante no Oeste, com base em Pinar del Río; Juan Almeida Bosque comandava as forças no centro do país, com base em Santa Clara; Raúl Cubelo Morales comandava a Força Aérea.
Em propaganda contra a Revolução Cubana, uma estação clandestina de rádio transmitia mensagens de hora em hora dizendo: “Mãe cubana, não deixe seu filho ser levado embora! O governo revolucionário vai tirá-lo de você quando você tiver cinco anos e vai devolvê-lo aos dezoito, quando isso acontecer, eles serão monstros materialistas”.
No dia 15 de abril, logo pela manhã, oito aviões B-26 (bombardeiros) pintados com as cores da Força Aérea de Cuba atacaram três aeródromos em San Antonio de los Baños, em Ciudad Libertad e em Santiago de Cuba. O objetivo seria deixar a Força Aérea cubana fora de ação. E os ataques preparatórios prosseguiram durante todo o dia.
Na manhã do dia 16 de abril de 1961 começa a invasão. Dois navios de desembarque fornecidos pela CIA invadem a Baía dos Porcos (Bahía de Cochinos), na costa sul de Cuba. São seguidos por quatro outros navios de desembarque conduzindo 1.400 cubanos exilados. O primeiro dos navios, o Blagar, aportou em Playa Girón por volta de uma hora da madrugada! Mas foram avistados pela milícia treinada para a luta.
Pela manhã, por volta das oito horas, um avião estadunidense começou a lançar paraquedistas e equipamentos militares, mas a maior parte caiu num pântano.
Começava a parte final da operação. A Brigada 2506, composta por 1.500 soldados mercenários, partiu de Puerto Cabezas, na Nicarágua, a bordo de cinco navios dos EUA.
Os combates foram sangrentos e os bombardeios dos B-26 preparados para a invasão usaram até bombas de napalm. O preço foi alto com mais de 150 mortos e centenas de feridos.
Mas os planos de Washington falharam na tentativa de estabelecer uma cabeça de ponte, com um governo nomeado e treinado por eles, pois os invasores foram derrotados em menos de três dias pelas milícias, o Exército Rebelde e a Polícia Nacional Revolucionária.
Ao anoitecer de 19 de abril de 1961, Fidel Castro, que liderou a luta e até disparou tiros de canhão contra o navio invasor Houston, informou em um comunicado: “As Forças do Exército Rebelde e as Milícias Revolucionárias Nacionais tomaram de assalto as últimas posições que os invasores das forças mercenárias ocuparam o território nacional”.
Playa Girón, que era o último ponto dos mercenários, caiu às 17h30, hora local, daquele dia.
A história das batalhas é longa, mas vamos encerrar dizendo que, no dia 19 de abril de 1961 os EUA conheciam uma das maiores derrotas militares de sua história. Morreram seis pilotos cubanos, dez pilotos mercenários e quatro estadunidenses; 114 mercenários foram presos e 2.506 morreram em combate.
Fidel Castro e Che Guevara participaram pessoalmente dos combates e Che foi ferido no rosto.
Em agosto de 1961, durante uma Conferência da OEA (Organização dos Estados Americanos), no Uruguai, Che Guevara pediu a palavra e enviou uma mensagem para Kennedy: “Obrigado pela Playa Girón. Antes da invasão, a revolução era fraca. Agora, ela é mais forte do que nunca”.
VIVA CUBA REVOLUCIONÁRIA!
VIVA O POVO ARMADO DEFENDENDO SUA REVOLUÇÃO!