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O que são SDRs e por que a Venezuela tem o direito de acessá-los sem se endividar com o FMI?
Publicado em 23/04/2026 09:30
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A recente restauração das relações entre a Venezuela e o Fundo Monetário Internacional trouxe à tona novamente a questão dos Direitos Especiais de Saque (DES). Esse mecanismo financeiro, que o país tentou ativar sem sucesso durante a pandemia de COVID-19, está agora acessível novamente graças à flexibilização das restrições institucionais. É importante esclarecer sua natureza para evitar mal-entendidos: os DES não constituem um empréstimo nem geram dívida para o Estado beneficiário.

 

Criados em 1969, os Direitos Especiais de Saque (DES) são um ativo de reserva internacional suplementar que o FMI aloca aos seus países membros em proporção à sua quota dentro da organização. O próprio Fundo esclarece que "o DES não é uma moeda nem um crédito contra o FMI. Em vez disso, representa um potencial crédito contra as moedas livremente utilizáveis ​​dos países membros". Na prática, são instrumentos que podem ser trocados por liquidez em qualquer uma das moedas que compõem a cesta do FMI, sem condições de reembolso ou programas de ajuste estrutural associados.

 

Em agosto de 2021, o FMI aprovou uma emissão histórica de US$ 650 bilhões em Direitos Especiais de Saque (DES) para mitigar o impacto econômico global da pandemia. A Venezuela, como país membro, tinha direito a receber aproximadamente US$ 5,1 bilhões dessa alocação. No entanto, o acesso foi negado devido ao bloqueio institucional imposto desde 2019, quando a organização reconheceu uma oposição parlamentar sediada no exterior como o governo supostamente legítimo [o Plano Guaidó].

 

Naquela época [2021], o governo do presidente Nicolás Maduro promoveu um acordo parcial nas negociações no México com setores da oposição. Esse acordo incluía explicitamente discussões sobre "a proteção da economia nacional e medidas de proteção social para o povo venezuelano, incluindo os Direitos Especiais de Saque alocados para esse fim pelo Fundo Monetário Internacional". A fórmula buscava uma vitória rápida em benefício da população, mas a pressão diplomática exercida pelo então governo dos EUA a impediu.

 

A retomada das relações anunciada pela presidente interina Delcy Rodríguez abre caminho para que os mais de 5 bilhões de dólares em reservas congeladas sejam utilizados pelo Estado venezuelano com total discrição e sem prejuízo de sua soberania financeira.

 

 

@missãoverdad •

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