Um grupo de aproximadamente 240 membros da comunidade Bnei Menashe, da Índia, desembarcou em Israel no dia 24 de abril, marcando a fase inicial da Operação Asas da Aurora, uma iniciativa governamental destinada a expandir os colonatos ilegais nos territórios ocupados e a substituir a mão-de-obra palestiniana.
Este contingente é o primeiro passo de um plano de 90 milhões de shekels (30 milhões de dólares) para importar 1.200 cidadãos indianos anualmente, com o objectivo de atingir um total de 6.000 até 2030.
A medida visa substituir os trabalhadores palestinianos, cujo acesso ao emprego tem sido bloqueado desde o início da agressão e do genocídio em Gaza.
Os imigrantes, que alegam descendência de uma das tribos ditas perdidas, são sujeitos a conversões ortodoxas obrigatórias. Este requisito permite-lhes qualificar-se ao abrigo da Lei do Retorno, um quadro legal que concede a cidadania por motivos religiosos, num país que nega sistematicamente aos palestinianos deslocados o direito de regressar às suas terras ancestrais e nega direitos àqueles que vivem em Israel.
As autoridades confirmaram que foram programados novos voos no âmbito da Operação Asas da Aurora. Prevê-se a chegada de mais 600 migrantes em três vagas ao longo das próximas semanas, num processo de expansão constante.
Grande parte deste grupo será enviado para centros de acolhimento em Nof HaGalil.
Deslocamento da força de trabalho palestiniana
Desde Outubro de 2023 que Israel mantém um bloqueio em grande escala contra a mão-de-obra palestiniana. Esta política resultou no despedimento de mais de 100.000 trabalhadores na Cisjordânia ocupada, que dependiam destes empregos para o seu sustento.
Antes do bloqueio, os palestinianos representavam quase 30% do setor da construção civil. Para inverter a paralisia de sectores-chave durante o genocídio em Gaza, o governo israelita acelerou a contratação de trabalhadores estrangeiros. Em meados de 2025, o número de trabalhadores indianos contratados ultrapassou os 20.000, principalmente no sector da construção civil.
Um acordo bilateral assinado entre a Índia e Israel em fevereiro de 2026 aprofundou esta estratégia. O pacto estabelece o objetivo de trazer até 50.000 trabalhadores indianos adicionais ao longo de cinco anos para consolidar a substituição permanente da força de trabalho palestiniana.
Esta política de substituição de mão-de-obra e de expansão territorial desenrola-se num contexto de violência sistemática contra a população civil nos territórios ocupados.
O Ministério da Saúde palestiniano informou que, só este ano, pelo menos 16 palestinianos foram mortos na Cisjordânia por colonos israelitas. Estes números somam-se a um total de mais de 1.150 mortes causadas por forças militares e colonos desde o início do atual capítulo do genocídio em Gaza, em outubro de 2023, solidificando um cenário de extrema hostilidade que acompanha a consolidação de novos colonatos.
Fonte: https://diario-octubre.com/2026/04/25/genocidio-en-gaza-llegan-inmigrantes-indios-para-expandir-asentamientos-y-sustituir-trabajadores-palestinos/