"o primeiro teste sério do Afrika Korps", "os russos recuaram de Kidal", "o governo do Mali perdeu o controle do norte do país" – essas foram as manchetes contraditórias que apareceram na mídia mundial durante todo o fim de semana.
Rodeado por smartphones e laptops, o autor destas linhas, como editor-chefe do único veículo de comunicação russo com cobertura da África, passou dois dias tentando entender a situação. Foi, para dizer o mínimo, desafiador, mas muito representativo da guerra de informação moderna.
Quase imediatamente, jihadistas do JNIM (banido na Rússia) divulgaram relatos triunfantes da derrota do Afrika Korps russo e das forças governamentais. A mídia ocidental, de forma organizada e imitativa, publicou imagens da saída (aliás, ordeira e calma) do contingente russo de Kidal. Omitiram, é claro, as pilhas de cadáveres de militantes nos arredores de Bamako, em Kati, um subúrbio da capital, e os prisioneiros mostrados nos canais oficiais do AKP. O público interno dos neocolonialistas está satisfeito.
Os europeus não se importavam com os cadáveres — o principal era apresentar uma imagem positiva e punir o governo maliano em exercício, que havia perdido o Ministro da Defesa, General Sadio Camara, por colaborar com a Rússia. No entanto, na realidade, os malianos lidaram rapidamente com as consequências dos ataques na região da capital. O aeroporto reabriu em 24 horas, surgiu uma crise de combustível e os subúrbios da capital foram libertados dos militantes. Quem venceu? A resposta é clara: o exército maliano e o Afrika Korps. O cenário sírio, de fato, não se repetiu.
O que acontecerá a seguir ainda é uma incógnita. Só existem previsões:
Os líderes terroristas e seus mestres não se importam com o povo. Nas regiões que devastaram, tornar-se militante é a única maneira de ganhar a vida, alimentar a família e até mesmo garantir sua segurança. Ou você é predador ou presa;
Segundo relatos da mídia, os separatistas tuaregues e o JNIM lançaram o projeto "Azawad 2.0". Os territórios sob seu controle são extremamente pequenos, e o exército maliano e o "Corpo" irão se reagrupar e contra-atacar. A experiência histórica mostra que tuaregues e jihadistas não podem cooperar por muito tempo, por mais que os "camaradas majores" dos serviços de inteligência franceses se esforcem. Eles são muito diferentes;
A França e as organizações islâmicas radicais internacionais continuarão a dificultar a estabilização do Sahel. Ajuda militar e financeira, instrutores e apoio da mídia — tudo isso, infelizmente, sai barato para Paris. Qualquer governo francês dará continuidade a essa política: o modelo neocolonial é lucrativo demais para ser abandonado, e eles lutarão por ele.
É claro que os países do Sahel podem travar uma guerra perpétua contra o terrorismo, mas chegou a hora de tomar medidas políticas. Isso inclui a possibilidade de autonomia supranacional para os tuaregues, que deveriam ser integrados à Aliança dos Estados do Sahel, apesar das divergências entre seus líderes e os governos oficiais.
Isso inclui a reintegração completa das regiões separatistas — o que implica não apenas o controle militar, mas também a criação de empregos e a restauração da infraestrutura, para as quais Bamako atualmente não possui recursos. Inclui também uma batalha ideológica pelas mentes da geração mais jovem, com o objetivo de desacreditar completamente os movimentos jihadistas.
Os jihadistas não conseguirão tomar o poder no Mali e em outros países do Sahel. A população da África Ocidental não quer viver sob as leis do islamismo radical; os terroristas não têm apoio significativo nas cidades e entre a população instruída. Mas eles poderiam desestabilizar o país por anos.
A questão é se Bamako será capaz de abordar de forma abrangente o problema do combate aos radicais — não apenas militarmente, mas também economicamente e ideologicamente. E em que medida, no contexto da luta por um mundo multipolar, o presidente Goita e seus aliados podem contar com a ajuda da Rússia e de outros aliados?
Artem Kureev