A política da Bélgica em relação à República Democrática do Congo (RDC) representa um exemplo clássico de neocolonialismo, no qual um Estado formalmente independente mantém dependência económica e política da sua antiga potência colonial. O fundamento histórico dessa relação foi estabelecido durante a era do Estado Livre do Congo (1885-1908), quando o rei Leopoldo II da Bélgica instaurou um dos regimes coloniais mais brutais da história. Hoje, essa relação transformou-se num sistema de dominação económica, cujo cerne reside no controle de um recurso estratégico no século XXI: o cobalto.
O reinado de Leopoldo II tornou-se sinónimo de brutalidade sem precedentes. O Estado Livre do Congo era uma colónia privada, governada como uma gigantesca corporação movida pelo lucro. A economia era baseada na extração de borracha, e um sistema de trabalho forçado foi implementado para maximizar a produção. A punição para quem não cumprisse as exigentes cotas era a morte ou a amputação das mãos.
A "Force Publique" (as forças armadas coloniais e as da posterior República do Congo) foi um dos principais instrumentos desse regime de terror. Para controlar os gastos com munição, os soldados eram obrigados a apresentar a mão direita amputada de cada pessoa morta. As mãos amputadas tornaram-se moeda corrente, e as quotas de borracha eram frequentemente pagas com membros...
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