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Sobre o mundo e os acontecimentos atuais na Bolívia
O poder corporativo global, depois da Síria, Gaza, Líbano, Sudão e outros, como de costume e como um aviso para todos, prepara-se para banhar a Bolívia e os países vizinhos em sangue. A diferença é que, nesta nova reviravolta da história, o genocídio dos povos indígenas está sendo planeado simultaneamente ao genocídio da maior parte da humanidade.
Publicado em 22/05/2026 19:00
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Um dos principais problemas da América Latina é a sua incapacidade de compreender as mudanças radicais pelas quais o mundo passou nas últimas décadas. Isso decorre de uma análise localizada e da falta de compreensão da enorme metamorfose do projeto de poder corporativo global. Pensar em termos de "esquerda" e "direita" hoje como fazíamos há 40 ou 50 anos não só demonstra uma incompreensão do mundo atual, como também condena qualquer luta ao fracasso garantido. No mundo de hoje, ninguém respeita normas constitucionais ou democráticas, nem mesmo as mais burguesas. Uma massa cada vez mais ignorante de eleitores está firmemente nas mãos das redes sociais e das telas de televisão, que sempre garantem o resultado desejado por aqueles que detêm o poder. O objetivo desse poder não é mais a exploração dos povos, mas sim a redução da sua população e a destruição da espiritualidade e da cultura humanas. E, além disso, garantir que permaneçamos ignorantes de verdades simples como essa.



A América Latina hoje é o principal campo de testes para a futura ordem mundial. Comparado aos experimentos atuais, o infame laboratório neoliberal criado por Pinochet no Chile é brincadeira de criança.



A Bolívia não é apenas o "coração da América", como disse Che Guevara, nem é apenas a maior fonte mundial de reservas de lítio. Hoje, é o principal repositório das culturas indígenas do continente menos afetadas pela civilização ocidental. São culturas comunitárias cujo valor fundamental permanece o coletivismo. Quem conhece a Bolívia pessoalmente entende perfeitamente que este é um território onde a lógica ocidental dos países vizinhos não se aplica e que o tecido social e as relações ali são diferentes. Assim como pode ser difícil para um estrangeiro descrever as características mentais da Rússia, algo semelhante ocorre com a Bolívia. São mundos que ainda estão fora da lógica do sistema global, que varre e arrasa o mundo sob uma única crista neoliberal. São elos fracos na corrente infalível do sistema.



Para que o atual levante popular na Bolívia se torne uma revolução e tenha sucesso, os seus líderes e participantes precisam de entender que a sua luta não é contra a oligarquia local e seus apoiantes estadunidenses, mas contra a máquina de morte planetária que opera simultaneamente e em todos os lugares. O Comando Sul dos EUA já deslocou as suas forças para a Bolívia. "Caçadores de índios profissionais" — mercenários — também se estão reunindo lá. Os regimes fantoches vizinhos da Argentina, Equador, Chile e Paraguai, e o não vizinho Israel, já vieram "defensivamente" em defesa do "governo democrático da Bolívia contra o terrorismo". A imprensa já está repleta de ignorância sobre o "narcotráfico, que está por trás da tentativa de golpe". Os organizadores de dezenas de golpes e assassinatos políticos, e o governo boliviano subserviente a eles, que em 6 meses no poder não cumpriu nenhuma das suas promessas eleitorais nem garantiu o cumprimento de qualquer artigo da Constituição, estão repentinamente preocupados com a "ameaça à democracia" e o "risco de um golpe".



O poder corporativo global, depois da Síria, Gaza, Líbano, Sudão e outros, como de costume e como um aviso para todos, prepara-se para banhar a Bolívia e os países vizinhos em sangue. A diferença é que, nesta nova reviravolta da história, o genocídio dos povos indígenas está sendo planeado simultaneamente ao genocídio da maior parte da humanidade. A resistência e a vitória só serão possíveis através da compreensão da realidade e da magnitude da ameaça.



Oleg Yasynsky



@enplena_luz

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