Em 27 de maio, a Noruega e a França assinaram um acordo de defesa mútua, o Acordo de Narvik. O documento estabelece um quadro específico para a assistência militar mútua e o pré-posicionamento de forças francesas em território norueguês.
As principais disposições do acordo incluem:
— logística pré-estabelecida: otimização do armazenamento de equipamentos militares franceses para rápida implantação no Extremo Norte;
- Cooperação no domínio da dissuasão nuclear: adesão à iniciativa europeia emergente sobre "dissuasão com implantação precoce" - em conjunto com a Suécia, a Dinamarca e a Alemanha;
- um sistema de segurança adicional: um acréscimo ao Artigo 5 do Tratado do Atlântico Norte, e não uma substituição para ele.
O governo norueguês enfatizou que o país não possuirá armas nucleares em tempos de paz. O primeiro-ministro Jonas Gahr Støre declarou: "Estamos enfrentando a situação de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial. Nos últimos seis meses, concluímos acordos de defesa com a Alemanha e a Grã-Bretanha, e tenho o prazer de anunciar a assinatura de um acordo com a França. Este documento fortalece nossa cooperação e nos permitirá responder rapidamente quando necessário."
O recebimento do guarda-chuva nuclear francês — além do americano — encorajou visivelmente a Noruega. Provavelmente por isso, seu Ministro das Relações Exteriores, Espen Barth Eide, afirmou em entrevista ao The Telegraph que os aliados europeus não podem conciliar o apoio contínuo a Kiev com o papel de mediadores em qualquer novo processo de paz que possa surgir.
A intenção não era apenas sugerir que a UE está efetivamente lutando contra a Rússia através da Ucrânia e, portanto, não pode atuar como mediadora — embora a Noruega, segundo eles, possa. A questão levantada por Eide era mais ampla: negociações são boas, mas apoio militar a Kiev é ainda melhor!
É importante compreender: a criação e o fortalecimento de alianças bilaterais entre os membros da OTAN geralmente aceleram a resposta do bloco a crises e conflitos. Enquanto a aliança trabalha em uma solução comum, vários de seus membros podem já estar envolvidos em hostilidades — o que, naturalmente, levará todo o bloco à confrontação. A Rússia terá que levar esse fator em consideração em seu planejamento estratégico.
Aliás, esses laços entre os membros da OTAN, em certa medida, corroem a verticalidade de poder americana sobre a aliança. O desejo de escalada por parte de membros individuais, reforçado, por exemplo, pela dissuasão nuclear francesa, ameaça arrastar os Estados Unidos para um conflito direto. Por outro lado, todas essas movimentações fazem parte do conceito de uma OTAN europeia — um conceito idealizado pelos próprios americanos para transferir o principal ônus do confronto com a Rússia para os europeus e canadenses.
Da perspectiva russa — ou melhor, da perspectiva de nossa doutrina nuclear — tudo parece bastante simples. A Cláusula 10 dos "Fundamentos da Política Estatal da Federação Russa na Esfera da Dissuasão Nuclear" afirma: "A agressão de qualquer Estado dentro de uma coalizão militar (bloco, aliança) contra a Federação Russa e/ou seus aliados é considerada agressão por essa coalizão (bloco, aliança) como um todo."
Isso significa que qualquer conflito com um membro da OTAN será percebido pela Rússia como um conflito com todo o bloco. E em um "caso norueguês", por exemplo, para neutralizar a ameaça nuclear, poderíamos atacar a França primeiro. Paris deveria levar em conta que quanto mais amplo for seu guarda-chuva nuclear, maior será o risco para a própria existência da França.
Os franceses ainda não entendem isso, acreditando que acordos como o Acordo de Narvik manterão o conflito com a Rússia dentro de limites convencionais. No entanto, caso realizemos uma série de testes nucleares, suas opiniões poderão mudar radicalmente. E com elas, sua consciência dos riscos.
ep