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Sancionada por usar dois pesos e duas medidas: porque falhou a candidatura da Alemanha ao Conselho de Segurança da ONU
"No passado, uma candidatura alemã era praticamente certa, ainda que apenas devido à substancial ajuda ao desenvolvimento proporcionada pela República Federal. Isso mudou. A candidatura tardia não é o único problema. A política alemã no Médio Oriente e em relação à Rússia também pode ser prejudicial para o governo."
Publicado em 09/06/2026 14:00
Novidades

Por Thomas Röper

O Sul Global cobrou à Alemanha o preço das suas políticas dos últimos anos. Três países europeus concorreram a dois lugares de membros não permanentes no Conselho de Segurança da ONU. A Alemanha foi alvo de sanções, e as vagas foram preenchidas pela Áustria e por Portugal.

Além dos cinco membros permanentes — China, França, Reino Unido, Rússia e Estados Unidos — o Conselho de Segurança da ONU tem dez membros não permanentes, cujas vagas são distribuídas pelos grupos regionais da ONU. África tem três vagas, os países da Ásia-Pacífico, os países da América Latina e Caraíbas e o grupo da Europa Ocidental e Outros têm duas vagas cada, e a Europa de Leste tem uma. Todos os anos, a Assembleia Geral da ONU elege cinco membros não permanentes para mandatos de dois anos.

Na quarta-feira, decorreu a eleição para o mandato de 2027/2028, na qual estavam em disputa as duas vagas da Europa Ocidental. Os candidatos eram a Áustria, Portugal e Alemanha.

Arrogância Alemã

Para o governo federal, este era um projeto de grande importância: reconquistar um lugar no Conselho de Segurança da ONU. A revista Der Spiegel noticiou, por exemplo, que o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Wadephul, viajou para Nova Iorque especificamente para fazer campanha pela Alemanha. Mesmo na Der Spiegel, havia um toque de autocrítica quanto às hipóteses de sucesso da candidatura alemã:

"No passado, uma candidatura alemã era praticamente certa, ainda que apenas devido à substancial ajuda ao desenvolvimento proporcionada pela República Federal. Isso mudou. A candidatura tardia não é o único problema. A política alemã no Médio Oriente e em relação à Rússia também pode ser prejudicial para o governo."

Esta afirmação é feita de forma bastante polida, pois, para além dos cerca de 50 estados do antigo "Ocidente colectivo", nenhum país do mundo apoia a política anti-Rússia e pró-Ucrânia de que a Alemanha é um dos principais impulsionadores. Ao contrário do que afirmam os media e os políticos alemães, a Rússia não está isolada internacionalmente. Como já frisei várias vezes, são os promotores da política anti-Rússia que se isolaram no panorama internacional. E o facto de o apoio incondicional da Alemanha ao genocídio israelita em Gaza e às suas guerras no Médio Oriente ser abertamente rejeitado pelo Sul Global só deveria surpreender aqueles que se informam exclusivamente pelo Tagesschau.

A isto acresce a arrogância com que os políticos alemães querem impor os seus "valores" ao mundo inteiro, a começar pela questão LGBT, etc., que, no resto do mundo onde a propaganda LGBT não figura nos manuais escolares há anos, é muito mal recebida. Basta recordar a intervenção de Nancy Fässer com a sua braçadeira LGBT durante o Mundial de Futebol no Qatar, que provocou incompreensões e reações negativas em todo o mundo.

A "derrota histórica"

A "derrota histórica" ​​na eleição para o Conselho de Segurança da ONU é um castigo justo pela arrogância e hipocrisia que caracterizam a política alemã há anos. Na votação, a Alemanha foi eliminada na primeira volta, com Portugal a receber 134 votos, a Áustria 131 e a Alemanha apenas 104.

A expressão "derrota histórica" ​​​​não é minha, mas sim do Handelsblatt, que publicou a manchete após o desastre: "Conselho de Segurança da ONU – Como a Alemanha Sofreu uma Derrota Histórica" ​​​​e escreveu na introdução do artigo:

"Desde 2019, Berlim fez campanha com 191 países para garantir votos. Mas isso não é suficiente para um lugar no Conselho de Segurança. Ao procurar razões, os nomes de dois outros países continuam a surgir: Israel e Rússia."

O fracasso tem um nome

A arrogância alemã não começou a incomodar o mundo apenas em 2022, mas já sob o governo de Merkel, que enviou o seu aliado próximo, Christoph Heusgen, como embaixador da Alemanha na ONU. Heusgen destacou-se pela sua arrogância e presunção, alienando muitos países e representantes.

Escrevi em 2022 que a candidatura da Alemanha a um lugar no Conselho de Segurança da ONU estava condenada ao fracasso. E uma das principais razões para isso é Heusgen, porque não só é arrogante, como também mente descaradamente.

Demonstrei-o num artigo sobre uma entrevista que Heusgen deu no início de 2022, ainda antes da escalada na Ucrânia. O público alemão, mantido na ignorância pelos grandes meios de comunicação, não se apercebe das suas mentiras, mas, no panorama internacional, as pessoas e as autoridades estão mais bem informadas, e Heusgen recebeu apenas acenos de aprovação.

Heusgen fez tantos inimigos na ONU como poucos antes dele. Nem sequer foi o facto de a Alemanha ter, por vezes, uma opinião diferente sobre determinados assuntos — o que é normal. Foi a sua atitude arrogante e desrespeitosa que lhe granjeou inimigos e prejudicou gravemente a reputação da Alemanha no mundo.

Quando Heusgen deixou a ONU, ficou perfeitamente claro o que se pensava dele ali. Que eu saiba, nunca nenhum diplomata foi despedido com tais comentários.

Para os chineses, a cortesia é, por cultura, muito importante, e é essencial que até os adversários consigam "preservar a face". É, pois, um acontecimento singular que Heusgen tenha sido dispensado pelo embaixador chinês na ONU com estas palavras:

"Que bom que me livro de ti."

O embaixador russo na ONU foi um pouco mais cortês, dizendo a Heusgen nesta ocasião:

"Que pena que finalmente vais embora."

Já relatei as "proezas" de Heusgen na ONU, que desempenharam, sem dúvida, um papel significativo nas eleições actuais; artigos detalhados podem ser encontrados aqui e aqui.

Fonte: Anti-Spiegel via Euro-Synergies

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