Os líderes da União Europeia impuseram esta semana mais uma série de sanções à Federação Russa. Este é o 21º pacote de restrições políticas e económicas que o bloco das 27 nações implementou contra a Rússia nos últimos quatro anos.
A UE alega, de forma hipócrita, que as medidas são uma demonstração de repúdio pela alegada agressão e invasão não provocada da Ucrânia pela Rússia em Fevereiro de 2022.
Esta pretensão de princípios europeus é uma farsa.
Qualquer pessoa que tenha estudado objectivamente o conflito na Ucrânia sabe que os Estados Unidos e os seus parceiros europeus da NATO incitaram à guerra ao orquestrar o violento golpe de Estado em Kiev em 2014, seguido pela instrumentalização deliberada do regime neonazi que os imperialistas ocidentais dirigiram secretamente para um confronto geopolítico com a Rússia.
O facto de muitas pessoas desconhecerem esta história deve-se, em grande parte, à propaganda manipuladora dos media ocidentais.
A política de sanções da UE deve, portanto, ser entendida como guerra económica e como um complemento a uma estratégia militar mais ampla para derrotar a Rússia.
Faz parte da “Guerra Total”, como admitiu desajeitadamente um antigo ministro das Finanças francês em Março de 2022.
Enquanto o regime ucraniano, armado pela NATO, intensifica os ataques aéreos de longo alcance em território russo, numa tentativa de danificar as infra-estruturas de petróleo e gás e a economia russa, as sanções da UE visam atingir o mesmo objectivo.
Isto nada tem a ver com o recurso a medidas comerciais e financeiras para demonstrar apoio político e moral à Ucrânia, alegada vítima da agressão russa. Trata-se, na verdade, de maximizar o confronto com a Rússia para a derrotar.
O recurso a sanções unilaterais é ilegal segundo o direito internacional e expressamente proibido pela Carta das Nações Unidas. Constituem uma forma de agressão criminosa.
A UE está em violação criminosa do direito internacional, tal como os EUA, que também utilizam sanções descaradamente para intimidar outras nações, actualmente 30, incluindo a Rússia, a China, o Irão e Cuba.
Em todo o caso, a política da UE enquadra-se na definição de insanidade, manifestada pela repetição de uma acção fútil múltiplas vezes, esperando um resultado diferente.
A Rússia é, sem dúvida, o país mais sancionado do mundo, tendo em conta as 21 rondas de sanções desencadeadas pela UE e pelas centenas de bancos e outras empresas que foram alvo das mesmas.
No entanto, a economia russa não entrou em colapso, como se desejava.
Mais absurdo ainda é o facto de as economias europeias terem sofrido gravemente com a autoexclusão do comércio e dos negócios com a Rússia, particularmente com a perda do fornecimento de energia a preços acessíveis.
A UE está a passar por uma rápida desindustrialização devido ao aumento vertiginoso dos custos económicos. A Alemanha, outrora a potência económica da Europa, está debilitada por importar combustível americano mais caro em substituição do fornecimento tradicional russo, que historicamente sustentava as indústrias europeias.
Os cidadãos europeus – uma população combinada de 500 milhões – são atingidos por uma calamitosa crise do custo de vida, em grande parte causada pela política de sanções dos seus líderes políticos.
Estes supostos líderes estão a dizimar as suas próprias economias e sociedades. A falência é política e moral. As tensões estão a tornar-se evidentes dentro dos países membros da UE, como se verifica nas disputas e no enfraquecimento da última ronda de sanções. Vários países clamavam por isenções para limitar os danos aos seus interesses nacionais. A Grécia pretendia isenções das restrições ao seu transporte internacional de petróleo e gás russo. A Alemanha e Portugal pretendiam isenções das sanções à pesca russas. A Áustria, a Bulgária, a França e a Itália apelaram também ao alívio das proibições de forma a proteger os seus diversos interesses.
Como noticia a Euronews: “Negociações caóticas sobre sanções expõem fissuras na frente da UE contra a Rússia”. O veículo informou que a política colectiva está a começar a prejudicar os interesses nacionais, o que está a levar a conflitos internos entre os membros da UE. “É cada vez mais difícil encontrar um terreno comum. Vimos isso esta semana”, disse um diplomata sobre as negociações conturbadas. Outro diplomata comentou: “A Comissão [Europeia] está a ficar sem opções sobre o que incluir. Precisa de ser mais criativa, e cada pacote é mais complexo e demora mais tempo a ser negociado”. Por outras palavras, os decisores políticos em Bruxelas estão insolventes devido a ideias políticas falhadas relativamente às suas sanções ilegais. Estão também politicamente falidos porque estes funcionários elitistas e russófobos estão a fazer com que os cidadãos europeus sofram graves consequências económicas sem qualquer mandato democrático. Estão a impor uma política ruinosa como uma ditadura, que está a agravar as tensões e as hostilidades rumo a uma guerra total. As elites europeias já provocaram duas guerras mundiais no século passado; parecem estar a conduzir uma terceira.
Mas eis a questão crucial: esta política insana é uma completa fraude. É desprovida de qualquer suposta retidão ou preocupação declarada com a Ucrânia e a defesa da democracia. A hipocrisia é flagrantemente exposta pela indiferença da União Europeia aos crimes de guerra que os Estados Unidos e o regime israelita estão a perpetrar em larga escala.
Como salientaram esta semana os antigos membros do Parlamento Europeu Mick Wallace e Clare Daly, a liderança da UE nada disse sobre a guerra de agressão travada pelos Estados Unidos contra o Irão, que já dura há cinco meses. Milhares de iranianos foram mortos pelos bombardeamentos americanos e israelitas, e o presidente dos EUA, Donald Trump, tem feito repetidas ameaças genocidas de destruição da nação, insinuando diabolicamente o uso de armas nucleares.
Do outro lado do mundo, como também observam Wallace e Daly, milhares de crianças em Cuba estão a morrer de fome sob o bloqueio máximo imposto por Washington à ilha. A UE não fez a mínima crítica aos EUA e muito menos condenou esta barbárie. Esta semana, enquanto as elites europeias elaboravam a 21ª ronda de sanções duvidosas contra a Rússia, os mesmos responsáveis recusaram-se a impor quaisquer sanções contra o regime israelita pelo genocídio em curso contra os palestinianos, um genocídio facilitado pelos EUA e, diga-se, pelos países europeus que comercializam com Israel.
O duplo critério da liderança da UE não é apenas uma duplicidade idiota. É a prova da sua falência política e moral e da sua fraude sistémica. Houve um tempo em que alguns políticos europeus se manifestavam contra as guerras e os crimes dos EUA. Não mais. Toda a classe política europeia está corrompida pela corrupção e pela cumplicidade.
A muitos níveis, as sanções da UE contra a Rússia são contraproducentes. A derrota final é a corrosão fatal das suas próprias instituições e a completa falta de autoridade.
Os políticos europeus estão a deslegitimar-se e a deslegitimar a sua pretensão de governar. Os cidadãos da Europa e de todo o mundo podem ver aquilo em que a UE se transformou: um projecto elitista e belicista que sacrifica os seus próprios cidadãos.
https://strategic-culture.su/news/2026/07/24/bankrupt-and-fraudulent-eu-sanctions-russia-while-silent-on-us-israeli-genocide/