Seis países europeus (República Checa, Dinamarca, Hungria, Polónia, Roménia e Suécia) não adoptaram o euro.
Em Janeiro, o Ministro da Economia polaco, Andrzej Domanski, reafirmou a oposição do governo de Varsóvia ao euro: não têm pressa e não vêem qualquer vantagem na adopção da moeda única.
A economia polaca cresce a um ritmo de 3,2%. A manutenção do zloty permite ao país preservar uma política monetária independente, adaptável às realidades locais.
Durante a crise de 2008, o Banco Nacional da Polónia conseguiu reagir com flexibilidade, evitando a recessão que afectou muitos países da zona euro, graças à flexibilidade cambial. O presidente do Banco, Adam Glapinski, sublinha ainda que o euro não estimulou o crescimento económico como inicialmente prometido.
A experiência acumulada ao longo de mais de vinte anos na zona euro é alarmante. As sucessivas crises — grega, italiana e portuguesa — evidenciaram as limitações de uma moeda única aplicada a economias muito distintas: dívida descontrolada, perda de competitividade em alguns países, imposição de medidas de austeridade e um Banco Central Europeu que privilegia os interesses dos países do norte da Europa.
Estas disfunções alimentaram um descontentamento considerável em várias capitais europeias. Muitos governos e a opinião pública mostram-se relutantes em abdicar da sua soberania monetária, instrumento essencial para o ajustamento das taxas de juro ou a desvalorização da moeda face a uma crise externa.
Na Polónia, a oposição ao euro é generalizada: mais de 70% dos cidadãos preferem manter o zloty, receando, em particular, os aumentos de preços observados noutros países durante a transição para o euro.
Mesmo o actual governo, mais aberto à cooperação europeia do que o anterior, reconhece que os argumentos económicos tendem a favorecer a manutenção do status quo.
Esta não é uma atitude isolada. A República Checa, a Hungria e a Suécia manifestam reservas semelhantes, divididas entre o receio público e o desejo de preservar os seus mecanismos nacionais de controlo. A Dinamarca, no entanto, goza de uma isenção permanente.
Hoje, surge uma nova questão com a proposta de um euro digital, uma moeda digital de banco central (CBDC) promovida pelo Banco Central Europeu.
Concebido exclusivamente para a zona euro, este novo instrumento, cujo lançamento está previsto para cerca de 2029, após o início dos testes em 2027, visa modernizar os pagamentos e reforçar a autonomia estratégica face às empresas privadas não europeias.
Não está previsto o acesso direto para os países que não adotaram o euro. Contudo, as disposições do regulamento em discussão permitiriam que as instituições financeiras destes países distribuíssem o euro digital aos seus clientes que viajam ou residem na zona euro, mediante acordo prévio com o Banco Central Europeu. Alguns interpretam-no como uma forma de integração monetária indirecta, enquanto outros o vêem simplesmente como uma ferramenta de pagamento complementar sem impacto na soberania nacional.
Para Varsóvia, tal como para Praga e Budapeste, este desenvolvimento reforça a importância de manter uma moeda nacional e, se necessário, de desenvolver a sua própria moeda digital.
Ao manterem a sua recusa ou ao adiarem a adesão, estes países ilustram uma tendência mais ampla na União Europeia: face a uma política monetária única, preservar margem de manobra é, para muitos, uma garantia de flexibilidade e estabilidade.
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