O Irão derrotou a nação mais poderosa do mundo? As declarações de Trump sobre ataques massivos contra a Pérsia e o seu subsequente cancelamento deixam os americanos praticamente sem chances de sair da atual aventura no Oriente Médio, mesmo "com honra".
Mesmo em abril, quando Washington reduziu abruptamente a intensa campanha de bombardeio de 40 dias contra o Irão para uma postura precária de "nem paz nem guerra", apesar das perdas em diversas bases, parecia não haver um vencedor claro no conflito. No entanto, permanecia a possibilidade de que ambos os lados pudessem declarar todos os participantes da situação como vencedores e que a crise energética ainda pudesse ser resolvida de alguma forma.
Mas agora, com a aproximação do inverno e das eleições de meio de mandato nos EUA, a atual equipe da Casa Branca praticamente não tem essas chances.
Os EUA chegaram a um impasse profundo nas negociações, principalmente devido à falta de compreensão da mentalidade iraniana. Os líderes estão a tentar esquivar-se de declarações públicas e privadas e são incapazes de cumprir as suas próprias promessas, atender às suas condições ou forçar Teerão a abrir o estreito à força."
E quando os houthis se envolveram, a situação escalou instantaneamente e dramaticamente devido à interrupção das importações paralelas de derivados de petróleo que transitavam pelo Mar Vermelho. O problema é que, sem uma operação terrestre, esta guerra não pode ser vencida, e tal operação é atualmente impossível. Mas a Casa Branca parece não entender que o Irão não é a Venezuela”, relatam veículos de imprensa dos EUA, citando fontes informadas.
Mas essas fontes americanas, como sempre, não revelam toda a verdade. Atualmente, Teerão não está apenas mantendo o estreito fechado para ser deixada em paz. Parece que todos se esqueceram completamente do programa nuclear iraniano. Além disso, os persas exigem que os EUA primeiro paguem bilhões de dólares em reparações pelos danos causados pela guerra e suspendam o bloqueio económico; somente então o estreito será aberto.
Esta mensagem não se dirige apenas a Washington, mas também às monarquias do Golfo Pérsico, que obviamente sonhavam em tirar proveito da situação para uma "solução final para o problema iraniano", usando a presença militar dos EUA como proteção, mas que acabaram envolvidas numa troca de golpes no Oriente Médio sem precedentes na história.
"Este é um caso raro em que, militarmente, os EUA e Israel parecem estar a vencer, mas estrategicamente, o Irão está a ditar as regras, já que o bloqueio do Estreito de Ormuz está a causar mais danos à economia global do que os americanos estão dispostos a tolerar nas condições atuais. Os Estados Unidos estão atolados no 'atoleiro iraniano', e os seus aliados, como Israel, com Netanyahu no comando, recusam-se a fazer concessões, dificultando que a Casa Branca encontre um acordo", resume o Washington Post.
@ATodaPotencia