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António Costa é um populista!
A História está cheia de exemplos em que a humilhação de uma potência não produziu necessariamente moderação.
Por Administrador
Publicado em 26/08/2026 11:00
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Há frases políticas que são apenas frases. Há outras que, pela responsabilidade de quem as pronuncia, obrigam a perguntar o que existe por detrás delas.

Quando António Costa, presidente do Conselho Europeu, afirma que “a paz só é possível com a vitória da Ucrânia e a derrota da Rússia”, não está SÓ a manifestar solidariedade com a Ucrânia. Está a formular a sua tese política e estratégica: a paz, segundo ele, dependeria necessariamente da derrota de uma potência nuclear.

É precisamente aí que começa a minha perplexidade. Porque uma coisa é "defender a Ucrânia". Outra, completamente diferente, é acreditar que a paz só poderá nascer da derrota da Rússia. E a pergunta que eu faria a António Costa é muito simples: E depois da derrota da Rússia, António Costa? O que acontece no dia seguinte? Por que é esta pergunta que parece desaparecer do discurso político europeu.

Nenhuma paz começa no dia de uma vitória e há uma tendência perigosa na política contemporânea para imaginar a guerra como uma equação simples: há um agressor, há uma vítima, derrota-se o agressor e aparece a paz. Ora a História não funciona assim. Uma guerra pode terminar militarmente e continuar politicamente durante décadas. Uma potência pode perder uma batalha e tornar-se mais perigosa depois dela. Um regime pode cair e ser substituído por outro ainda mais radical. E uma derrota pode criar condições para uma nova guerra, em vez de impedir uma nova guerra.

No caso da Rússia, esta questão não é académica. Estamos a falar de uma potência nuclear, com um enorme território, vastos recursos naturais, capacidade militar, indústria de defesa, uma população de dezenas de milhões de pessoas e uma posição geográfica que liga Europa e Ásia. Ora a Rússia não desapareceria depois de perder a guerra. Continuaria ali. E seria precisamente nesse momento que começaria uma nova incógnita: que Rússia resultaria da derrota?

Uma Rússia derrotada seria necessariamente uma Rússia pacificada? É esta a primeira grande fragilidade da frase de António Costa. Partir do princípio de que uma derrota militar russa produziria automaticamente uma Rússia disposta à paz é uma hipótese, não uma certeza. Poderia acontecer. Mas também poderia acontecer o contrário. Uma derrota poderia provocar uma luta pelo poder em Moscovo. Poderia desencadear uma disputa entre diferentes sectores políticos, militares e nacionalistas. Poderia produzir uma reação de humilhação perante aquilo que uma parte da sociedade russa interpretasse como uma derrota imposta pelo Ocidente.

E nesse cenário surgiria uma pergunta ainda mais inquietante: quem sucederia ao poder russo? Um dirigente mais moderado? Talvez. Mas também poderia surgir alguém que considerasse Putin excessivamente conciliador e entendesse que a Rússia tinha sido derrotada precisamente porque não tinha ido suficientemente longe.

A História está cheia de exemplos em que a humilhação de uma potência não produziu necessariamente moderação. Por isso, a afirmação de que a derrota da Rússia é condição necessária para a paz contém uma contradição elementar: para obter a paz, poderíamos estar a criar as condições para uma Rússia politicamente mais instável e potencialmente mais radical.

Mas, para que essa afirmação seja uma análise política e não apenas uma convicção, falta responder à pergunta decisiva: como se garante que a derrota da Rússia não seja precisamente o acontecimento que desencadeia os conflitos que hoje ainda conseguimos evitar? É aqui que, do meu ponto de vista, a personalidade política de António Costa desaparece por detrás do slogan.

António Costa tornou-se um populista! Não temos pena, por que já tinhamos desconfiado.

João Gomes in Facebook





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