O Irão reiterou que os responsáveis pelo ataque dos EUA a zonas residenciais de Lamerd não se devem sentir seguros em nenhum lugar do mundo.
Durante uma conferência de imprensa realizada este sábado em Lamerd, na província de Fars, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baqai, denunciou os ataques israelitas e norte-americanos a quatro zonas residenciais na cidade de Lamerd, a 28 de fevereiro, como um “crime de guerra indiscutível”.
“De acordo com as Convenções de Genebra de 1949, atacar as propriedades civis e a população civil, bem como utilizar armas proibidas para instigar o terror entre a população, constitui um crime de guerra e deve ser investigado e processado por todos os Estados”, enfatizou Baqai aos jornalistas num complexo desportivo em Lamerd que foi alvo das forças norte-americanas.
Depois de afirmar que todos os países são obrigados a respeitar o direito internacional humanitário, declarou que os responsáveis por estes crimes, tanto os que os ordenaram e executaram como os que planearam e desenvolveram estas armas, “não se devem sentir seguros em nenhum lugar do mundo”.
Os EUA utilizaram uma arma proibida do tipo míssil de fragmentação em Lamerd
Referindo-se ao ataque criminoso dos EUA e de Israel contra Lamerd e à morte de 21 pessoas nessa agressão, especificou que as investigações determinaram que a arma utilizada no ataque era “uma arma proibida do tipo míssil de fragmentação, cada um contendo 180.000 submunições e fragmentos de três gramas cada”.
Afirmou ainda que o impacto de quatro mísseis em 35 segundos sobre uma cidade de 30 mil habitantes “demonstra a natureza criminosa e deliberada deste ataque contra civis”.
Salientou que o Irão continuará a exigir justiça por esta agressão e aproveitará todas as oportunidades para explicar a dimensão e a gravidade deste crime perante os tribunais internacionais.
Em relação à cumplicidade do Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, no ataque, afirmou que “o facto de o ataque militar ter ocorrido apenas um dia após a publicação do relatório da AIEA comprova o papel desta instituição em encobrir as ações ilegais dos agressores”.
Estas declarações surgem quatro dias depois de os Estados Unidos e os seus aliados europeus terem utilizado os relatórios da AIEA sobre o alegado incumprimento, por parte do Irão, dos seus regimes de inspecção para reencaminhar o dossier nuclear do país para o Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU).
Na quarta-feira, o Conselho de Governadores da AIEA aprovou esta resolução anti-Irão, elaborada pelos Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha, com 23 votos a favor.
O Irão, juntamente com a Rússia e a China, potências com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, rejeitou a medida, acusando a AIEA de tratar injustamente o caso nuclear iraniano numa altura em que as suas sensíveis instalações militares e civis têm sido alvo de ataques não provocados.
O Irão alertou que o chefe da AIEA está a minar a imparcialidade da agência ao transformar os relatórios técnicos numa justificação política para as agressões militares.
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