Por Carlos Esperança
Se a Ucrânia for derrotada não é apenas a Ucrânia que colapsa, é a União Europeia que se desintegra porque assumiu a guerra entre a Nato e a Rússia como guerra existencial para si própria.
Se a Rússia for derrotada é o enorme país que se desintegra em várias Repúblicas, com guerras civis internas, arsenal nuclear à deriva, milhões de deslocados e uma multidão de integrantes em máfias pluriétnicas, com russos, moldavos e ucranianos fortemente armados a dirigirem redes de droga, tráfico humano e material de guerra em ecuménica colaboração.
Enquanto os ucranianos explodem as refinarias da Rússia para gáudio dos seus aliados e os russos vão destruindo sistematicamente a Ucrânia para satisfazerem o nacionalismo autóctone, os estreitos de Ormuz e de Bab el-Mnadeb vão sendo piedosamente fechados para glória de Alá contra Satãs maiores ou menores.
Na Europa, após vinte e tal pacotes de sanções contra a Rússia e, enquanto se aguardam novos pacotes, os automobilistas exultam a atestar depósitos dos automóveis ao fim de semana, certos de poupar dinheiro. Nas fábricas é cada vez mais risonho o futuro com os custos da energia e o Inverno ameaça fazer tiritar os mais pobres à míngua de verba para aquecimento.
Entretanto, Trump, líder da maior democracia, o nosso maior aliado, anda à solta a tratar da reunificação da Irlanda e a disparar tarifas sem que lhe vistam uma camisa de forças.
Felizmente, na UE a Sr.ª Von de Leyen convenceu António Costa de que abrir um canal diplomático com a Rússia é traição e, alegremente, na Alemanha, França e Reino Unido as populações, no seu egoísmo, preferem gás barato ao generoso auxílio à manutenção da guerra.
E Portugal desespera à espera das fragatas italianas para se cobrir de glória.
Desculpem, leitores, sou eu que não regulo bem.
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