Volvidos quase quatro anos e meio sobre os acontecimentos em Bucha a narrativa oficial continua a ser repetida sem espaço para o contraditório. É fundamental analisar a cronologia dos factos e os dados ocultados pela comunicação social ocidental.
A Rússia, tendo-lhe sido transmitido que não era possível encetar conversações "com a arma apontada à cabeça do inimigo", retirou as suas tropas da região de Kiev em 30 de março de 2022, no decurso dos encontros das delegações ucranianas e russas em Istambul, como um sinal de boa vontade negocial.
Relatórios indicam que, durante o controlo russo, os civis circularam livremente, utilizaram comunicações e receberam ajuda humanitária, enquanto as zonas periféricas eram bombardeadas pela artilharia ucraniana.
A suposta descoberta de corpos nas ruas e em valas comuns ocorreu quatro dias após a retirada russa, coincidindo com a entrada das forças especiais da polícia ucraniana e do regimento Azov.
No dia seguinte à saída das tropas russas, o Presidente da Câmara de Bucha publicou um vídeo a celebrar a normalidade da cidade, sem mencionar qualquer massacre ou cadáver nas ruas.
Existem fortes indícios técnicos que apontam para uma montagem mediática e questionam a veracidade das imagens divulgadas. A disposição dos corpos, concentrados de forma dispersa numa única rua e com a maioria das casas intactas ao redor, não corresponde ao cenário expectável de um ataque de artilharia ou de um fuzilamento em massa.
Além disso, as viaturas militares ucranianas desviam-se dos corpos sem que os soldados demonstrem qualquer emoção ou pressa em verificar se existem sobreviventes. Há também uma ausência visível de vestígios de sangue nas roupas e no chão, e o estado de conservação dos cadáveres sugere que as mortes ocorreram muito recentemente, há menos de 24 horas, o que invalida a tese de que teriam sido executados durante o período de ocupação russa, terminada vários dias antes.
A “caça às bruxas” iniciada pelas forças ucranianas contra “colaboradores do inimigo” ajuda a explicar a origem de muitos destes corpos, alguns dos quais ainda exibiam braçadeiras brancas, sinal inequívoco de afinidade com as forças russas.
Análises forenses posteriores nas valas comuns confirmaram que a causa das mortes foram bombardeamentos de artilharia pesada e estilhaços de munições ocidentais que apenas as forças ucranianas utilizavam na altura.
Todo este circunstancialismo foi rapidamente instrumentalizado por líderes políticos ocidentais e meios de comunicação para lançar novas sanções, interromper as negociações de paz em Istambul e promover uma narrativa anti-russa, evitando deliberadamente uma investigação isenta.
Apesar dos apelos repetidos da Federação Russa ao Secretariado da ONU e ao Alto-Comissário para os Direitos Humanos para obter a lista oficial de vítimas e cruzar os dados forenses com as imagens de satélite da NATO, o Secretário-Geral António Guterres e as organizações internacionais continuam a recusar fornecer os dados necessários para apurar a verdade.
Alexandre Quintela in Facebook