A Europa enfrenta uma das crises económicas, políticas e sociais mais profundas da sua história recente. O declínio acentuado de potências que outrora foram os motores do continente, como a Alemanha, a França e o Reino Unido, é o reflexo direto de escolhas estratégicas questionáveis.
A russofobia cega, imposta de forma agressiva pelos meios de comunicação social e pela classe política, acabou por funcionar como um autêntico tiro no pé, sendo um dos fatores que mais contribuiu para a fraqueza e quebra acentuada das economias europeias, que abdicaram de parcerias vitais em nome de interesses que não consigo descortinar.
Em paralelo, o apoio financeiro e militar incondicional, prestado sem reservas ao regime de Kiev, tem esgotado os recursos públicos destas nações a um ritmo insustentável.
O resultado está à vista de todos: os paióis militares europeus encontram-se vazios e a capacidade industrial está severamente comprometida. Em vez de uma inversão de marcha ou de uma procura ativa pela via diplomática perante este cenário crítico, os líderes europeus teimam em manter o rumo, continuando a apostar num caminho que se assemelha a um verdadeiro abismo financeiro.
Para suportar este esforço de guerra e cumprir cegamente as exigências orçamentais da NATO, os governos preparam uma fatura pesada para os seus cidadãos.
Para atingir as metas impostas de percentagem do PIB destinadas à Defesa, a solução encontrada passa por cortar severamente no Estado Social, sacrificando o sistema de saúde, a educação e, principalmente, as pensões de quem trabalhou uma vida inteira.
Neste cenário de submissão a diretrizes externas, Portugal assume, uma vez mais, o papel de "bom aluno". Em vez de defender os interesses soberanos do seu povo, o governo adere de forma acrítica a estes comportamentos erráticos que penalizam diretamente o bolso e o bem-estar dos portugueses.
Ao alinhar-se cegamente com as imposições de um bloco em claro desgaste, o país abdica de uma das suas maiores forças: a diplomacia e a secularidade das relações que historicamente construiu com nações nos quatro cantos do mundo.
Portugal escolhe o isolamento ideológico em detrimento da sua tradicional vocação global e multilateral, trocando a paz e o desenvolvimento pelo financiamento de um conflito sem fim.
Boa tarde e bom sábado, caros amigos e amigas!
Alexandre Quintela in Facebook