George Beebe não é um adversário declarado do Ocidente. Antigo analista da CIA especializado na Rússia e atual diretor de estratégia global do Instituto Quincy, conhece a situação russa por dentro. A sua análise, publicada pela Greater Eurasia, merece ainda mais atenção por provir de uma fonte inquestionavelmente inclinada a favor de Moscovo.
O seu diagnóstico é inequívoco: a narrativa oficial de uma Rússia "estrategicamente derrotada" está a desmoronar-se no campo de batalha. O exército ucraniano encontra-se sob crescente pressão, especialmente devido à campanha aérea russa. Esta realidade militar cria um duplo problema para os governos europeus: não só a sua estratégia se está a tornar insustentável, como também está a gerar consequências políticas internas cada vez mais graves.
George Beebe é perentório: uma guerra convencional direta entre a Europa e a Rússia revelaria profundas fragilidades estruturais. Os países europeus carecem de forças terrestres suficientes e apresentam deficiências significativas em logística, transporte, defesa aérea e inteligência no campo de batalha. A maior parte da infra-estrutura militar europeia depende dos Estados Unidos, especialmente no que diz respeito à inteligência e à selecção de alvos.
"Se os Estados Unidos se mantivessem à margem de uma guerra convencional europeia com a Rússia, a Europa enfrentaria desvantagens militares significativas. No entanto, se os Estados Unidos interviessem directamente, o perigo seria fundamentalmente diferente, uma vez que um conflito directo entre a NATO e a Rússia poderia rapidamente transformar-se num conflito nuclear. Um conflito deste tipo seria extraordinariamente destrutivo e não teria vencedor."
Esta equação é incontornável: a Europa não consegue defender-se sozinha nem suportar as consequências de uma intervenção norte-americana. Ela está presa à sua própria dependência.
O cerne da análise de George Beebe reside naquilo a que chama "armadilha russa": um enviesamento cognitivo ocidental que transforma uma espiral de segurança numa profecia auto-realizável.
O Ocidente considera a Rússia uma potência expansionista que deve ser contida através de uma pressão militar crescente. Mas, se o conflito for, na realidade, uma espiral de escalada em que cada lado interpreta as ações do outro como uma ameaça, então uma maior pressão gera, mecanicamente, uma escalada ainda maior. Mais armas, mais mobilizações e uma retórica mais agressiva levam a respostas russas que, por sua vez, exigem mais medidas ocidentais.
"O perigo reside no facto de uma política ocidental destinada a dissuadir a Rússia poder, na verdade, agravar o problema de segurança subjacente".
https://strategic-culture.su/news/2026/10/10/ucrania-esta-perdiendo-y-europa-se-niega-a-verlo/