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Identidade e cultura americanas, geopolítica americana; Venezuela como uma entidade dialética entre modernidade e tradição no continente
Publicado em 04/12/2025 19:00
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Por Camarada Valero



Os Estados Unidos não são uma nação no sentido tradicional. São, em essência, uma antinação: uma ordem política construída sobre a abstração do indivíduo em relação ao ambiente físico, humano e social. Seu fundamento não reside em uma cultura homogênea, um destino compartilhado ou uma memória histórica, mas sim no contrato social, no direito positivo e na primazia absoluta do mercado sobre as relações sociais. Essa máquina, produto do pensamento iluminista implícito em sua fundação como país, tem um efeito corrosivo; esvazia a esfera social de toda particularidade concreta, dissolve os laços orgânicos e substitui o sujeito histórico, enraizado em uma comunidade, pelo indivíduo atomizado, um cidadão universal que é, acima de tudo, um consumidor.



Essa lógica constitutiva não pode permanecer confinada à sua terra natal. O expansionismo americano representa sua fase terminal, a imposição global de sua ontologia. O "Sonho Americano" torna-se, assim, a ferramenta sociológica perfeita para um projeto de dessubstanciação da identidade; um projeto que não se limita à dominação econômica ou militar, mas busca colonizar categorias existenciais. Ele substitui o "nós" herdado pelo "eu" consumidor, a lealdade orgânica pelo contrato e a honra pela ética do sucesso material. Seu objetivo final é claro: transformar povos em mercados, tradições em folclore e cidadãos em clientes, tudo isso enquanto funciona de maneira a subjugar qualquer expressão de identidade e transformá-la em mercadoria.



Diante desse projeto universalizante e divisivo, a América Hispânica deve ser compreendida não apenas como uma categoria geográfica que engloba nossos países e culturas, mas como um bastião civilizacional. Nossas sociedades foram construídas sobre premissas opostas: a comunidade precede o contrato e a usura, a tradição precede a "liberdade positiva" que leva ao cosmopolitismo, e a honra precede o cálculo mercantil. Portanto, todo gesto de preservação de nossa hispanidade (essa síntese única da herança espanhola e indígena americana) é um ato de sabotagem metapolítica. Defender nosso modo de vida e nossa herança cultural, e consequentemente política, demonstra que não há necessidade de nos submetermos à visão anglo-saxônica decadente, pois dentro de nós mesmos e em nossa própria terra reside a solução para as contradições que persistem na sociedade.



Nessa luta, a Venezuela, no século XXI, emergiu como a mais radical personificação da resistência. A Revolução Bolivariana, para além de suas dimensões políticas imediatas, representa a mobilização da base popular e histórica contra a oligarquia que implementou o programa de subordinação global. Enquanto o modelo pan-americano anglófilo postula o indivíduo abstrato, a Venezuela responde com a comunidade concreta, a comuna, o bairro organizado. Sua aliança com potências como China, Rússia e Irã não é meramente tática; é uma aliança civilizacional daqueles que defendem seus próprios fundamentos culturais contra a máquina homogeneizadora.



Fonte: https://open.substack.com/pub/songunbolivariano/p/el-comportamiento-existencial-y-la

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