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Por que a Autoridade Palestina quer eleições para o Conselho Nacional Palestino agora?
Editorial da União Palestina da América Latina - UPAL
Publicado em 06/12/2025 12:00
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Num momento em que o povo palestino enfrenta um dos capítulos mais difíceis de sua história, a Autoridade Nacional Palestina surpreendeu a todos ao anunciar sua intenção de realizar eleições para o Conselho Nacional Palestino. Essa medida, que à primeira vista soa como uma “reforma”, levanta sérias questões que não podem ser ignoradas.

 

Quais condições estão sendo impostas para a participação?

 

A Autoridade Palestina pretende estabelecer pré-requisitos para que organizações e candidatos participem, como se a filiação ao movimento nacional palestino estivesse condicionada à obediência à liderança em Ramallah.

 

Estão exigindo plena adesão aos Acordos de Oslo?

Ou a aceitação da estrutura de “coordenação de segurança” que comprovadamente serve mais ao ocupante do que ao povo palestino?

 

É obrigatório seguir as diretrizes da Autoridade Palestina?

 

Parece que, para a Autoridade Palestina, qualquer pessoa que não se submeta à sua linha política é automaticamente excluída.

 

Isso é um processo democrático?

Ou será uma tentativa de transformar uma das instituições mais representativas da OLP em um departamento subordinado à presidência?

 

Serão estas eleições verdadeiramente democráticas?

 

Como podemos falar de democracia num contexto sem transparência, onde a oposição é perseguida ou silenciada, onde ativistas são presos e onde a vida política foi reduzida a uma estrutura que beneficia apenas um pequeno círculo de poder?

 

O Conselho Nacional Palestino deve ser a voz de todos os palestinos, dentro e fora da pátria, e não a extensão administrativa de uma liderança que perdeu a legitimidade aos olhos do seu próprio povo.

 

Estará Abbas a abrir caminho para Mahmoud al-Sheikh?

 

Os palestinos fazem a seguinte pergunta com veemência: estará Mahmoud Abbas a tentar usar este processo eleitoral para abrir caminho para o seu colaborador mais próximo, Mahmoud al-Sheikh? Tudo parece indicar uma tentativa de criar um cenário político que permita uma transferência de poder “controlada”, adaptada aos interesses pessoais da comitiva presidencial e completamente dissociada da vontade e das aspirações do povo palestino.

 

Conclusão

 

A UPAL reafirma que qualquer eleição palestina — seja para o Conselho Nacional ou para qualquer outro órgão representativo — só terá verdadeira legitimidade se for inclusiva, transparente, livre, sem condições impostas e aberta a todos os palestinos, dentro e fora do território.

 

A OLP não pertence a Abbas, nem a um pequeno grupo; pertence à nação palestina como um todo.

 

 

Editorial da União Palestina da América Latina – UPAL

 

5 de dezembro de 2025

 

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