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Irão: Trump deve resistir a Netanyahu e apostar no diálogo
O ministro das Relações Exteriores iraniano instou Donald Trump a ignorar Netanyahu e retomar o diálogo nuclear, apontando para um crescente apoio regional à via diplomática.
Publicado em 31/12/2025 13:00
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De acordo com um artigo publicado nesta terça-feira no jornal britânico The Guardian, o ministro das Relações Exteriores do Irão, Seyed Abás Araqchi, instou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a ignorar as advertências do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e aproveitar o que ele classificou como uma «oportunidade diplomática estreita» para reativar as negociações nucleares.

No seu artigo, Araqchi afirmou que Washington foi induzida a considerar Israel como um «aliado fiável», enquanto apresenta o Irão como a principal ameaça regional. Segundo a sua análise, Israel enganou repetidamente os Estados Unidos, «fazendo-os acreditar que o Irão estava à beira do colapso, que o acordo nuclear de 2015 era uma tábua de salvação para nós e que abandonar o pacto nos obrigaria a ceder rapidamente».

 

O chefe da diplomacia iraniana afirmou que essas «narrativas falsas» levaram Washington a abandonar um quadro diplomático funcional em favor da política de «pressão máxima», que, segundo ele, só gerou «resistência máxima» por parte de Teerão. As suas declarações foram feitas pouco depois da reunião entre Netanyahu e Trump nos Estados Unidos, na qual, segundo informações, foi abordada a possibilidade de uma nova ação militar contra o Irão.

Durante esse encontro, Netanyahu expressou a sua preocupação com uma eventual tentativa do Irão de reconstruir as suas capacidades nucleares e o seu programa de mísseis após a agressão de junho, enquanto Trump advertiu que agiria rapidamente se Teerão avançasse nessa direção. Em resposta, Araqchi garantiu que o Irão está disposto a negociar «sem se render» e sublinhou a existência de uma disposição inédita entre os atores internacionais para facilitar o diálogo e garantir a implementação de um eventual acordo.

 

No entanto, o ministro reiterou a posição firme de Teerão em relação ao seu direito de enriquecer urânio para fins civis, protegido — sublinhou — pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Ele também indicou que as mudanças na dinâmica política do Oeste Asiático poderiam abrir as portas para uma nova etapa diplomática, alertando que a prolongação do confronto acarreta riscos crescentes e que a negociação pode prevenir novas crises.

 

A aventura israelita representa uma ameaça para todos


Araqchi também alertou que um número cada vez maior de cidadãos norte-americanos vê hoje Israel como «um fardo» mais do que como «um aliado», refletindo — segundo ele — uma mudança na opinião pública após anos de instabilidade regional. Acrescentou ainda que alguns aliados árabes de Trump chegaram a considerar as ações de Israel como «uma ameaça» à segurança regional.

«O governo dos Estados Unidos enfrenta agora um dilema: pode continuar a assinar cheques em branco a Israel com o dinheiro e a credibilidade dos contribuintes americanos, ou fazer parte de uma mudança tectónica para melhor», escreveu.

 

Durante décadas, a República Islâmica do Irão tem sustentado que o seu programa de mísseis é estritamente dissuasivo e necessário para proteger a sua população numa região saturada de bases militares americanas e forças apoiadas pelo Ocidente. Teerão rejeitou categoricamente as recentes exigências ocidentais de limitar o alcance dos seus mísseis a 500 quilómetros, considerando que isso deixaria o país indefeso contra ameaças de longo alcance.

Da mesma forma, o Irão rejeitou as exigências de Trump para desmantelar a sua infraestrutura nuclear, classificando-as como contrárias ao TNP. Em vez disso, as autoridades iranianas exigiram que Washington pusesse fim à sua cumplicidade com as ações israelitas e abandonasse a política de «pressão máxima» contra a República Islâmica.

 

 

Fonte: https://www.hispantv.com/noticias/politica/637573/iran-trump-resistir-netanyahu-dialogo

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