Paris, 6 de janeiro de 2026 - e lá vamos nós outra vez. O palco diplomático mais glamourosamente iluminado do mundo, o Palácio do Eliseu, recebeu mais uma edição do grande “Circo de Reuniões”, estrelando ninguém menos que Emmanuel Macron, Zelenskyy e uma constelação de líderes internacionais. E, como de costume, as câmeras dispararam, os flashes brilharam e as palavras fluíram… mas o resultado prático? Bem, isso ainda está a caminho, entre o café e o protocolo.
Mais uma vez, ouvimos as promessas de garantias de segurança para a Ucrânia, de forças multinacionais de dissuasão e de centros de coordenação internacionais. Tudo muito bonito no papel, tudo muito fotogénico nas redes sociais, mas de certo modo, uma repetição quase coreográfica de reuniões anteriores. Cada cimeira promete novidade, mas não raro entrega a sensação de déjà vu diplomático: os mesmos rostos, os mesmos discursos, a mesma promessa de agir “decisivamente”… mas sempre em tom condicional e com prazo indefinido.
O que se destaca, claro, é a performance. Zelenskyy sorri, Macron acena, os representantes da NATO e da UE alinham-se como numa fotografia de família global. Em poucas horas, a imprensa mundial receberá declarações de unidade e solidariedade, cada palavra cuidadosamente escolhida para soar urgente, determinada e histórica. E o público, sentado do outro lado da tela, assiste ao espetáculo, perguntando-se: quantas vezes já vimos isto?
E é aqui que o circo se mostra na sua plenitude: o efeito mediático supera a ação prática. Porque a diplomacia, quando bem ensaiada, funciona também como arte performativa. Há sempre uma promessa de novas intenções, mas muitas vezes são apenas reformulações de compromissos antigos. A cada reunião, o mundo é lembrado de que “algo está a ser feito”, mesmo que o “fazer” permaneça invisível e indefinido.
No final do dia, a repetição tem o seu charme irónico. Enquanto os líderes partem para os seus jatos privados, os analistas debatem em torno do rascunho de declaração, e os cidadãos tentam decifrar se algum dia estas intenções se traduzirão em realidade concreta, resta-nos observar o espetáculo com uma mistura de admiração e cansaço. Pois, no circo das reuniões internacionais, a plateia é sempre grande, mas o número que realmente cumpre a promessa é… rara exceção.
E assim, enquanto Paris brilha sob as luzes da diplomacia, repetimos: o circo das reuniões repete-se. Mas, quem sabe, talvez um dia, entre um flash e outro, a magia se transforme finalmente em ação. E Trump? Trump ri-se e o mundo parece adormecido...
Autor: João Gomes in Facebook