Offline
MENU
O que está por trás do acordo entre a Síria e a entidade sionista?
Editorial da União Palestina da América Latina - UPAL
Publicado em 12/01/2026 12:30
Novidades

 

Durante décadas, a Síria foi apresentada – e com razão – como um país historicamente alinhado à causa palestina. Sofreu agressões militares, bombardeios repetidos e a ocupação ilegal de parte de seu território por Israel, particularmente nas Colinas de Golã.

 

Portanto, qualquer notícia ou sugestão de um “acordo” entre Damasco e a entidade sionista gera perplexidade, suspeita e indignação em amplos setores do mundo árabe e entre aqueles que se solidarizam com a Palestina.

 

A pergunta que se impõe é: o que a Síria pode esperar do sionismo e o que realmente está por trás desse entendimento?

 

Um acordo sem paz ou justiça

 

Este não é um verdadeiro tratado de paz nem uma reconciliação histórica. O que está emergindo é, na melhor das hipóteses, um acordo tático, condicionado por fatores externos: pressão internacional, realinhamento regional e tensões internas após mais de uma década de guerra.

 

Israel nunca demonstrou qualquer intenção de devolver as Colinas de Golã ou de reconhecer os direitos do povo palestino. Afirmar que agora age como um “parceiro confiável” é ignorar seu histórico de ocupação, expansionismo e violações sistemáticas do direito internacional.

 

A Pressão dos Equilíbrios Regionais

 

A Síria está emergindo de um conflito devastador, com uma economia frágil e sujeita a sanções sufocantes. Nesse contexto, certos atores internacionais estão promovendo acordos de contenção, não acordos de justiça: reduzindo as frentes de conflito, garantindo a segurança de Israel e realinhando alianças no Oriente Médio.

 

Esses tipos de acordos não buscam beneficiar o povo sírio ou palestino, mas sim estabilizar a hegemonia israelense e normalizar a ocupação sob um falso discurso de “realismo político”.

 

As Colinas de Golã: A Ferida Aberta

 

Qualquer acordo que não inclua a devolução integral das Colinas de Golã é uma capitulação velada. A Síria não pode — e não deve — legitimar a ocupação de seu território em troca de promessas vagas ou alívio temporário.

 

Aceitar isso criaria um precedente perigoso: o de que a força militar e a ocupação são, em última análise, recompensadas.

 

E quanto à causa palestina?

 

A causa palestina não é uma questão secundária nem negociável. Historicamente, a Síria tem sido um dos poucos Estados árabes que não assinaram acordos de normalização com Israel precisamente por solidariedade com a Palestina.

 

Uma abordagem que ignora o apartheid, o lento genocídio em Gaza, a colonização da Cisjordânia e a negação do direito de retorno trai essa história e enfraquece a posição coletiva árabe.

 

Conclusão

 

Não estamos diante de um acordo de paz, mas sim de um ajuste forçado pela geopolítica, onde a entidade sionista busca consolidar sua impunidade regional e a Síria tenta ganhar algum fôlego em um contexto extremamente adverso.

 

Mas a história mostrou que não há estabilidade possível sem justiça, nem acordos duradouros construídos sobre a ocupação e a negação dos direitos dos povos.

 

A UPAL reafirma que a causa palestina é inegociável, que as Colinas de Golã são território sírio ocupado e que qualquer tentativa de encobrir o sionismo sob o pretexto de “estabilidade” é uma falácia perigosa.

A dignidade dos povos não se assegura por meio de acordos impostos.

 

A resistência à injustiça continua sendo um dever histórico.

 

 

União Palestina da América Latina – UPAL

 

11 de janeiro de 2026

 

Comentários