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Cuba em alerta máximo com o aumento das tensões com os Estados Unidos
Nesse cenário, a prioridade de Cuba parece clara: evitar erros de cálculo, fortalecer a sua rede de apoio internacional e reafirmar o princípio da soberania como pedra angular da ordem regional.
Publicado em 05/02/2026 11:00
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Cuba enfrenta atualmente um período de elevada preocupação estratégica devido à escalada das tensões com os Estados Unidos, num contexto internacional marcado pela erosão do direito internacional, pela militarização da política externa e pelo uso sistemático da coerção económica como instrumento de pressão. A ilha, com a sua longa história de resiliência diante da adversidade, interpreta esses sinais não como incidentes isolados, mas como parte de uma dinâmica estrutural que afeta toda a região.



As relações entre Havana e Washington nunca foram totalmente normalizadas, mas nos últimos anos houve um endurecimento da retórica e de medidas indiretas, especialmente nas esferas financeira, tecnológica e diplomática. Para Cuba, essas tensões não se limitam ao nível bilateral: fazem parte de uma disputa mais ampla entre uma ordem hemisférica tradicional e um mundo que caminha para a multipolaridade, onde atores extra-hemisféricos estão ganhando presença e influência.



A resposta cubana não se expressa em termos de provocação, mas sim de prevenção e coesão interna. A ênfase recai na defesa integral do Estado, na proteção de infraestruturas críticas, na resiliência social e na coordenação diplomática com aliados e parceiros estratégicos. Nesse sentido, o “alerta” deve ser entendido mais como vigilância política e estratégica do que como uma escalada militar.



Cuba também desempenha um papel simbólico na América Latina. Historicamente, qualquer pressão extrema sobre a ilha serviu como um recado para o resto da região. Portanto, o acompanhamento atento dessas tensões não se limita a Havana, mas envolve diversas capitais latino-americanas que percebem que o que está sendo testado contra Cuba pode se repetir em outros países no futuro.



Nesse cenário, a prioridade de Cuba parece clara: evitar erros de cálculo, fortalecer a sua rede de apoio internacional e reafirmar o princípio da soberania como pedra angular da ordem regional. Mais do que uma reação de curto prazo, a postura de Cuba reflete uma profunda compreensão do momento histórico: a estabilidade regional depende de impedir que as tensões ultrapassem limites irreversíveis e de a América Latina agir com memória, prudência e unidade diante da pressão externa.



Editorial de Nossa América.



Fonte: @nuestra.america

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