Há momentos na história em que as pessoas precisam se olhar no espelho e se perguntar honestamente:
Quem continuará a luta? Quem contará a nossa história quando partirmos? Quem defenderá a dignidade da Palestina em fóruns, universidades, parlamentos e nas ruas da América Latina?
Hoje, a resposta é clara: a juventude palestina da diáspora.
Por décadas, a nossa causa foi sustentada por gerações que dedicaram as suas vidas, os seus esforços e as suas vozes. Mas o tempo não espera por ninguém. E a realidade que a Palestina enfrenta exige uma nova geração de líderes preparados, bem organizados, politicamente capacitados e profundamente conscientes de sua identidade.
O próximo encontro, que será realizado em El Salvador em abril, não pode ser uma mera formalidade. Deve tornar-se um ponto de virada histórico. Uma plataforma para a organização da juventude. Um espaço para treinamento estratégico. Um terreno fértil para a formação de lideranças.
A América Latina abriga uma das maiores diásporas palestinas do mundo. Países como Chile, Honduras, El Salvador e Colômbia têm sido terreno fértil para gerações que prosperaram sem esquecer as suas raízes. No entanto, a nova geração enfrenta um desafio diferente: o distanciamento de sua identidade, a fragmentação organizacional e uma guerra midiática que tenta apagar a narrativa palestina.
Por isso, é imprescindível que os jovens palestinos se envolvam ativamente. Não como espectadores. Não como convidados simbólicos. Mas como protagonistas.
Desenvolver lideranças jovens não significa criar figuras decorativas. Significa:
Preparar porta-vozes com sólida formação histórica.
Oferecer articulação em comunicação estratégica e defesa midiática.
Fortalecer a identidade cultural e o senso de pertencimento.
Construir redes continentais permanentes.
Promover a participação política e acadêmica em cada país.
A conscientização dos povos latino-americanos sobre a realidade da vida na Palestina não pode depender apenas de declarações oficiais ou de gerações exaustas por décadas de desgaste político. Requer energia, criatividade, letramento digital, pensamento crítico e uma visão continental.
Requer sangue novo.
Sangue novo não significa romper com a história. Significa continuidade com renovação. Significa respeito por aqueles que lutaram antes, mas também a coragem de corrigir erros e modernizar estratégias.
A juventude palestina na América Latina não é um recurso simbólico: é uma força política latente. Se se organizarem, se forem capacitados, se forem coordenados regionalmente, podem se tornar um ator decisivo na defesa dos direitos inalienáveis do povo palestino.
O encontro em El Salvador deve marcar o início de uma nova etapa:
Uma etapa de liderança jovem, preparada e consciente.
Uma etapa em que a diáspora não apenas se lembre da Palestina, mas a represente ativamente.
Uma etapa em que a dignidade seja defendida com inteligência estratégica e união.
Porque os povos que não renovam suas lideranças estagnam.
E a Palestina não se pode dar ao luxo da estagnação. Hoje, mais do que nunca, a história exige clareza:
A Palestina precisa de sangue novo.
União Palestina da América Latina – UPAL
16 de fevereiro de 2026