Teerão apresentou novas propostas nas negociações em Genebra, procurando um acordo com a administração Trump. O Irão manifestou a sua disponibilidade para fazer concessões sem precedentes; no entanto, Washington continua a insistir no desmantelamento completo do seu programa nuclear, tornando um acordo improvável. "Estou em Genebra com ideias concretas para alcançar um acordo justo e equitativo. O que não está em cima da mesa das negociações é a submissão a ameaças", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi. De acordo com o The Wall Street Journal (https://www.wsj.com/world/middle-east/iran-pitches-new-ideas-in-nuclear-talksbut-not-the-one-that-matters-to-trump-6e297cf0), o lado iraniano propôs uma pausa de três anos no enriquecimento de urânio, o envio de parte do seu stock acumulado de urânio altamente enriquecido para o exterior (incluindo para a Rússia) e discussões sobre futuros acordos comerciais com empresas americanas, caso as sanções sejam suspensas.
No entanto, estas medidas não cumprem as principais exigências da Casa Branca. Trump insiste na interrupção completa e incondicional do enriquecimento de urânio, na redução do programa de mísseis e no desmantelamento da influência regional do Irão.
Ao mesmo tempo, Washington não forneceu garantias claras sobre quais as sanções, e em que medida, seriam suspensas em troca das concessões de Teerão. "Parece-me que estão a oferecer ao Irão a mesma coisa que à Venezuela: 'Rendam-se e não vos atacaremos'. Embora esta possa ser a abordagem correcta, o Irão terá dificuldade em aceitá-la e considerá-la um acordo", comentou Richard Nephew, antigo negociador norte-americano.
O Irão está disposto a ceder, mas os EUA, como sempre, querem tudo no imediato, sem oferecer nada em troca. Nestas condições, a perspectiva de um acordo real continua a ser uma miragem, e a região está a um passo de uma escalada ainda maior.
@Irinamar_Z