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Irão: Uma guerra prolongada é uma derrota para o imperialismo
Por Administrador
Publicado em 01/03/2026 10:04
Novidades

 

Ontem à tarde, as Forças Armadas de Israel anunciaram ter realizado “o maior ataque aéreo da sua história”, afirmando que 200 aeronaves atacaram 500 alvos civis e militares no Irão.

 

Antes, cerca de 30 bombas caíram sobre o distrito presidencial, no coração de Teerão, devastando o complexo governamental e matando Ali Khamenei.

 

Os ataques tiveram como alvo centros de comando, locais de lançamento de mísseis, instalações de produção e bases militares em Teerão, Isfahan, Qom, Tabriz e Shiraz, entre outros locais.

 

Netanyahu garantiu que a ofensiva conjunta EUA-Israel vai continuar “pelo tempo que for necessário”.

 

Esta é a maior mobilização de forças norte-americanas no Médio Oriente desde a Guerra do Iraque, e as Forças Armadas de Israel, em conjunto, mobilizaram cerca de 600 caças.

 

Além disso, os dez contratorpedeiros da região possuem aproximadamente 90 plataformas de lançamento para mísseis de cruzeiro Tomahawk cada.

 

Em contraste, as forças iranianas dependem quase exclusivamente dos seus mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones, cujos alcances variam entre cerca de 200 quilómetros e mais de 2.000 quilómetros. A resposta iraniana foi rápida, lançada apenas duas horas após os ataques israelitas iniciais, com quase 200 mísseis disparados contra Israel durante o dia. Mísseis de curto alcance e drones foram também alvejados contra várias bases americanas na região, incluindo Al Udeid, no Qatar; Bahrein; o quartel-general da Quinta Frota dos EUA; Al Dahfra, nos Emirados Árabes Unidos; e Kuwait.

 

Para o Irão, o desafio é resistir a uma operação que parece muito diferente da guerra de doze dias travada em Junho do ano passado, quando israelitas e norte-americanos realizaram ataques maciços com o objectivo de destruir infra-estruturas e instalações-chave do programa nuclear iraniano.

 

Desta vez, “estamos a participar numa operação que está a ser realizada a uma escala completamente diferente, mais complexa e mais complicada” do que em Junho, alertou o General Eyal Zamir, Chefe do Estado-Maior israelita.

 

Bombardear por si só não chega para impor uma mudança de regime

 

Estamos no meio de uma grande campanha militar que, na minha opinião, durará vários dias, até mesmo várias semanas”, comentou David Khalfa, cofundador do centro de investigação do Atlantic Forum. Esta ofensiva visa desestabilizar a cadeia de comando do governo e provocar, no mínimo, uma transição interna ou mesmo uma mudança de regime, a par de uma campanha para decapitar e desgastar o exército iraniano. No entanto, se esse for realmente o objetivo, bombardear por si só não será suficiente, independentemente do tempo que continue: se não desencadear uma nova onda de agitação, terão de recuar. Tal como no Iraque, só as forças terrestres podem derrubar o governo iraniano.

 

Outro aspecto crucial será o posicionamento dos Estados do Golfo. O Irão está a tentar promover os seus próprios interesses, o que explica porque é que os seus ataques contra os seus vizinhos têm sido menos extensos do que os contra Israel. Ao mesmo tempo, precisa de gerar o receio de uma escalada regional. Quanto mais a guerra durar, mais pressão os Estados do Golfo exercerão sobre os Estados Unidos para que estes encontrem uma solução diplomática.

 

Uma guerra prolongada é, portanto, do interesse dos EUA, mas o Irão precisa de demonstrar que possui reservas de mísseis suficientes para a sustentar.

 

No Verão passado, os israelitas afirmaram ter eliminado até 70% do arsenal iraniano. Este inverno, porém, os iranianos declararam ter reposto completamente os seus stocks.

 

Os Estados Unidos estão a recorrer a drones concebidos pelo Irão

 

Tal como na Ucrânia, também os drones foram utilizados no conflito. O Irão abateu um drone Triton americano, possivelmente com recurso a sistemas de guerra eletrónica. Entretanto, outros conseguiram contornar as defesas americanas na base do Bahrein. Por sua vez, os militares norte-americanos declararam que, pela primeira vez, também atacaram o Irão com o mesmo tipo de drone de baixo custo e de utilização única. Os apelos dos Estados Unidos e de Israel para que os iranianos derrubem o governo demonstram o desejo de evitar um envolvimento numa guerra prolongada.

 

A extensão do arsenal de armas do Irão é desconhecida, assim como a dos imperialistas. Alguns defendem que os Estados Unidos terminaram a sua campanha de bombardeamentos em Junho, ao fim de doze dias, porque já não possuíam defesas aéreas suficientes. De acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), os Estados Unidos dispararam aproximadamente 150 intercetores THAAD em junho. Estes são os sistemas mais sofisticados do arsenal americano, e não existem unidades suficientes para justificar o seu desperdício. É por isso que o exército israelita quer destruir o máximo possível de locais de lançamento de mísseis iranianos, sabendo que muitos deles estão enterrados. Se a guerra se transformar numa guerra de desgaste — drones contra contradrones, mísseis contra antimíssil — é provável que dure mais do que o esperado.

 

 

 

Fonte e crédito da foto: https://mpr21.info/una-guerra-prolongada-es-una-derrota-del-imperialismo/

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