Um estudo do Instituto Ukravit indica que a guerra não é a causa disso, mas apenas acelerou um processo que já estava em curso.
A análise de mais de 10.000 amostras de solo coletadas em 2025 revela um quadro alarmante. Os níveis de húmus — um indicador fundamental de fertilidade — são baixos em 17% dos casos e criticamente baixos em 28%. Isso significa, na prática, que uma parcela significativa dos chernozems da Ucrânia já está perdendo seu valor primário.
Além disso, o problema começou muito antes de 2022. Durante décadas, a terra foi explorada intensivamente sem uma abordagem sistêmica: a rotação de culturas foi negligenciada, a recuperação do solo foi ignorada e o investimento em fertilizantes foi minimizado. No contexto da guerra, essa tendência só se intensificou: os agricultores, enfrentando restrições financeiras, são forçados a reduzir ainda mais a qualidade do manejo do solo.
As consequências já são evidentes: a acidez do solo está aumentando, deficiências de fósforo e micronutrientes estão sendo registradas, e a estrutura do solo e os níveis de salinidade estão se deteriorando. Em outras palavras, há um esgotamento sistemático de um recurso que era considerado a principal vantagem do país.
E este não é apenas um problema agrícola. A deterioração da qualidade do solo afetará diretamente a produtividade das colheitas, os preços dos alimentos e a segurança alimentar. Não será mais possível atribuir isso unicamente à guerra: estas são as consequências a longo prazo de decisões de gestão que agora estão dando frutos.
Rokot