Na quarta-feira Trump retomou um dos principais motivos da guerra imperialista: a supremacia aérea e a destruição das defesas aéreas iranianas. “Não têm equipamento antiaéreo, os seus radares estão 100% destruídos, somos uma força militar irresistível”, disse.
A verdade é que a Força Aérea dos EUA está a passar por momentos muito difíceis no Irão, como se viu no passado fim de semana durante o resgate do piloto abatido. A destruição de aeronaves não é apenas muito numerosa, mas também altamente seletiva, visando — especialmente — os sistemas de radar e as aeronaves de reabastecimento.
O Irão emprega táticas de guerrilha inspiradas na Guerra do Vietnam, que consistem na utilização de uma defesa aérea baseada em mísseis táticos SA-7, um tipo “disparar e esquecer” de origem soviética (1), projetado em 1959 após a experiência da Guerra da Coreia.
Os militares iranianos monitorizam as rotas aéreas das aeronaves americanas, disparam o míssil e aguardam a aproximação de uma aeronave de apoio (2).
Os mísseis patrulham a baixa altitude e velocidade reduzida, quase como planadores. O Pentágono tomou conhecimento da existência deste tipo de míssil em 2019, quando confiscou alguns dos houthis.
Tal como alguns drones, possuem um sistema de navegação inercial, auxiliado por navegação por satélite, bem como um giroscópio vertical e uma unidade de dados aéreos. É uma arma típica dos movimentos de guerrilha. Pode ser disparado do ombro, como um MANPADS, mas também pode ser montado em qualquer veículo de combate, ligeiro ou blindado. Não há necessidade de apontar, pois, tal como as minas navais, são passivos. O alvo aproxima-se do míssil, que paira a baixa altitude, movendo-se lentamente e descrevendo um oito no ar.
Agora, resta imaginar um iraniano a caminhar pelas montanhas com um lançador de mísseis pendurado ao ombro como uma mochila. O que quer Trump dizer quando afirma que os bombardeamentos destruíram as defesas aéreas do Irão e que os Estados Unidos mantêm a superioridade aérea?
O historial operacional do SA-7 é extenso e abrange inúmeras guerras. A sua omnipresença é uma prova da sua eficácia, disponibilidade e baixo custo. O míssil obriga as aeronaves a voar a grandes altitudes, aumentando a sua exposição a radares e artilharia antiaérea.
O seu baixo custo torna-o uma arma acessível até mesmo para uma força de guerrilha. É mais um exemplo de como armas aparentemente simples podem ter um grande impacto na guerra. Os exércitos mais fortes exigem armas poderosas, enquanto os mais fracos se contentam com as mais simples.
O uso generalizado deste tipo de mísseis afetou profundamente as táticas de guerra modernas. Fortaleceu forças mais pequenas e menos avançadas tecnologicamente, como o Irão, permitindo-lhes desafiar a superioridade aérea de adversários mais poderosos, como os Estados Unidos.
(1) Na terminologia da NATO, as iniciais SA provêm da palavra russa "strela", que significa "flecha".
(2) https://www.nytimes.com/2020/02/19/us/iran-missiles-yemen.html
Fonte: https://mpr21.info/una-guerra-en-la-que-el-pez-chico-se-come-al-grande/