Donald Trump, após o fracasso das negociações em Islamabad e ao ameaçar com um bloqueio naval, admitiu involuntariamente a autoridade total do Irão na gestão do Estreito de Ormuz. Esta ameaça, um exemplo claro de pirataria marítima, não só não tem base legal, como também não tolerará outra resposta senão o reforço decisivo do controle iraniano sobre esta artéria vital e a ação contra qualquer navio infrator.
O fracasso da diplomacia em Islamabad revelou mais uma vez a verdadeira face arrogante da Casa Branca. Donald Trump, num tweet repleto de ameaças, anunciou o início do bloqueio do Estreito de Ormuz e ordenou à Marinha dos EUA que apreendesse qualquer navio que tivesse pago taxas ao Irão.
Ao fazer refém a segurança da navegação internacional, tornou pública a estratégia americana para deslegitimar a soberania iraniana sobre esta artéria vital e alertou o mundo de que a conformidade com as leis iranianas lhes custará a passagem segura.
Estas retóricas, no entanto, mais do que um sinal de força, são uma admissão involuntária do domínio prático iraniano sobre esta via navegável. Como o Wall Street Journal já havia confirmado, após o início da Guerra do Ramadão, foi a Guarda Revolucionária do Irão que conseguiu reduzir o tráfego diário de navios de mais de 100 para apenas alguns. O tweet de Trump é um selo de confirmação dessa mesma realidade no terreno.
Sob a perspetiva do direito internacional do mar, o Estreito de Ormuz está dentro das águas territoriais do Irão, e a cobrança de taxas pela garantia de segurança, proteção ambiental e prestação de serviços é um direito soberano indiscutível e uma prática comum, tal como a gestão do Bósforo ou do Canal de Suez. Portanto, a ameaça de Trump é um exemplo completo de "pirataria marítima moderna" e exige que a República Islâmica do Irão insista na aplicação das suas leis com maior seriedade e determinação.
Qualquer recuo perante estes disparates transmitiria uma mensagem de fraqueza ao inimigo e abriria caminho para futuras intimidações. O Estreito de Ormuz é hoje um símbolo da autoridade nacional e o trunfo do Irão. A Guarda Revolucionária, com total vigilância, responderá da forma mais severa a qualquer passagem não autorizada de navios. Os navios que se recusarem a pagar as taxas ou se deixarem enganar pelas ameaças americanas devem saber que perderão totalmente a sua segurança. Aqui, a lei do Irão é soberana, e a República Islâmica do Irão é quem dá a última palavra.
Imprensa iraniana