Na passagem de mais um aniversário dos massacres de Chicago que estiveram na origem do 1º de Maio, há 140 anos, saudamos os milhões de trabalhadores que, por todo o mundo e em Portugal, saem à rua, resistem à ofensiva, exigem mais direitos e lutam por melhores condições de vida e de trabalho.
Saudamos, também, os muitos milhares de trabalhadores que estão nesta grande Manifestação e em mais 32 iniciativas que a CGTP-IN realiza por todo o País, muitos dos quais exercendo o direito de greve, afirmando a sua determinação na luta.
O governo PSD/CDS, com o apoio do CH e IL, tem em marcha uma política de assalto aos direitos fundamentais e de afronta à Constituição da República Portuguesa que atinge quem trabalha e trabalhou, fragiliza os serviços públicos e compromete as funções sociais do Estado. A estratégia em curso procura enfraquecer os direitos laborais e pôr em casa direitos essenciais, como a saúde, a educação, a protecção social e a habitação, entre outros.
A estes ataques acresce o aumento do custo de vida, que sofreu, desde o início do ano, significativos agravamentos, nomeadamente na alimentação, energia, habitação, entre outros, intensificados pela escalada com a guerra dos EUA e Israel contra o Irão e a especulação que lhe está associada.
Às dificuldades vividas por quem trabalha, pelas famílias, pelos reformados e pensionistas, por via dos baixos salários, das baixas pensões, da precariedade e do aumento da exploração, soma-se, ainda, a deliberada degradação dos serviços públicos, em particular, do Serviço Nacional de Saúde, que exige investimento, valorização dos profissionais e reforço da capacidade de resposta pública.
É neste quadro que o Governo insiste em impor o Pacote Laboral, procurando abrir caminho para o agravamento da política de direita ao serviço dos grupos económicos e financeiros, para o aumento da exploração, cumprindo assim os compromissos assumidos com o patronato. Trata-se de piorar uma lei que já hoje é muito prejudicial para quem trabalha e, deste modo, perpetuar os baixos salários, impor a legalização dos despedimentos sem justa causa, agravar e eternizar a precariedade, desregular e prolongar, ainda mais, os horários de trabalho, atacar os direitos de maternidade e paternidade, destruir a contratação colectiva e os direitos nela consagrados, atacar a liberdade sindical e o direito de greve.
A luta desenvolvida exige a retirada do Pacote Laboral e o abandono, por parte do Governo, da sua intenção de agravar ainda mais uma legislação que contribui para o aumento da exploração, aprofunda as desigualdades e perpetua os atrasos do país.
Assim, para responder a este enorme ataque aos direitos e afirmar um outro rumo para o país, daqui assumimos a elevação e a ampliação da luta organizada, uma grande demonstração da indignação, do protesto, da exigência e da força dos trabalhadores, com a realização da Greve Geral no próximo dia 3 de Junho, sob o lema “Derrotar o Pacote Laboral! Não ao retrocesso! Por mais salário, mais direitos, mais serviços públicos”.
Uma Greve Geral contra o Pacote Laboral e a política ao serviço do capital, pelo aumento geral e significativo dos salários e pensões, contra o aumento do custo de vida e pelo controle dos preços, pela revogação das normas gravosas da legislação laboral que já hoje tanto prejudicam os trabalhadores, pela defesa e reforço dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, por uma vida digna para todos os que trabalham e trabalharam, pela aplicação dos direitos de Abril que a Constituição consagra.
É preciso uma política de desenvolvimento e progresso, que responda aos problemas dos trabalhadores e do país. E não uma política de retrocesso e exploração como a que o governo do PSD/CDS e os seus aliados do CH e IL defendem.
O nosso compromisso é de resistência e de luta por melhores salários e direitos.
Daqui apelamos a todos os trabalhadores para que se mantenham firmes neste combate, e a todas as estruturas sindicais e organizações de trabalhadores para que mantenham a posição, o envolvimento e a convergência na luta pela retirada do Pacote Laboral.
Avançaremos com toda a determinação, reforçando a unidade na acção a partir dos locais de trabalho, para derrotar o Pacote Laboral, valorizar o trabalho e os trabalhadores e por uma sociedade mais justa.
Viva a luta dos trabalhadores!
Viva a CGTP-IN!
01.05.2026
Fonte: CGTP.PT