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Carta de um general estadounidense a Trump
Publicado em 02/06/2026 17:00
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«Fui chefe do Estado-Maior do Exército dos EUA. Fui demitido a 2 de Abril de 2026, em plena guerra contra o Irão, porque recusei assinar relatórios falsos.

O senhor prometeu acabar com as guerras eternas. Em vez disso, lançou-nos numa guerra contra o Irão sem plano de saída, sem aliados fiáveis, sem memória do Vietname, do Afeganistão, do Iraque.

Acabava com a guerra na Ucrânia em 1 dia, repetia. Não acabou. Agora arrasta-nos noutra guerra sem saída.

Enquanto anunciava "vitórias", os estadunidenses viam a gasolina subir todas as semanas. As famílias iranianas contavam os mortos sem saber se o próximo míssil cairia num hospital.

Europeus, africanos, asiáticos pagam a factura na inflação, na fome, no adiamento de sonhos. O mundo ficou mais pobre, mais inseguro. E o senhor chama a isto "tornar a América grande outra vez"?

Pete Hegseth, seu secretário da Defesa, jurou "zero baixas “americanas". Zero? Então quem enterrei?

No 1º dia da guerra, um míssil Tomahawk atingiu uma escola feminina em Minab. Morreram 168 crianças. O senhor disse que o Irão encenara as imagens. Mais tarde, o Pentágono admitiu que o míssil era nosso. Desculpa? "Informação desactualizada". A escola funcionava há anos, pintada com cores vivas, em mapas online. Ninguém quis ver. Ninguém pediu desculpa.

Até hoje, o Pentágono não divulgou a lista completa dos feridos. Os nomes dos meus soldados desapareceram das estatísticas. Escondem-nos como uma factura incómoda.

E havia quem quisesse esta guerra. AIPAC e lobbyes sionistas empurraram para o conflito: guerra total, sem tréguas, até o Irão desistir do urânio e dos mísseis.

Que autoridade tem os EUA para impedir o Irão de enriquecer urânio, quando Israel possui 200 bombas?

Gastaram milhões a financiar congressistas da linha-dura. O senhor ouviu-os. Agora que o cessar-fogo chegou, os mesmos lobbyes preparam a próxima guerra. O senhor hesita, mas pode reacendê-la.

Porque falo agora? Porque já não estou no activo. Porque os meus soldados morrem e os seus nomes não aparecem nas listas. Porque as crianças iranianas continuam sob os escombros, e o mundo finge que não viu.

Lutei no Iraque, no Afeganistão. Sei que nenhuma guerra é justa. Esta é particularmente obscena. Construída sobre mentiras e interesses alheios aos EUA. Os generais que o diziam foram corridos, por telefone, num dia.

Agora que estou reformado, digo: PERDEMOS. Não no campo de batalha. Perdemos em Washington, quando a verdade foi substituída pela lealdade, e a política externa entregue a lobbyes que não prestam contas.

Não quero declarações de vitória. Quero os nomes dos meus soldados fora dos arquivos secretos. Quero que admita, que o Irão não capitulou, o programa nuclear continua, o Estreito de Ormuz está nas mãos deles.

A única coisa que conseguiu foi tornar a vida mais cara para os estadunidenses e para o mundo.

Pare de dizer que o mundo vive melhor, quando vive pior.
Pare de mentir sobre as baixas.
Pare de esconder os mortos.
Pare de não decidir por pressão do lobby sionista.
Pare de chamar "vitória" a este naufrágio.
E tenha a coragem de finalizar esta guerra.

Atenciosamente,
General Randy George (reformado, por vontade alheia)

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