O Bureau Político do Comité Central do Partido Comunista da Venezuela (PCV) rejeita categoricamente a recente operação militar levada a cabo pelas forças norte-americanas em território venezuelano, que culminou com a execução extrajudicial de Héctor Guerrero Flores, conhecido por “Niño Guerrero”, no estado de Bolívar.
O próprio governo imperialista norte-americano reconheceu que a operação foi conduzida pelo Comando Sul em coordenação com as autoridades venezuelanas, enquanto o governo venezuelano se manteve em silêncio até que Washington decidiu tornar a operação pública.
Este é mais um exemplo de incursão militar estrangeira no nosso território nacional. É mais um episódio de violação da soberania venezuelana e de subordinação do governo venezuelano aos interesses dos Estados Unidos, a mesma potência que, há poucos meses, bombardeou Caracas e raptou Nicolás Maduro e a sua mulher, Cilia Flores, e que hoje actua como uma força tutelar sobre as decisões fundamentais do país.
É particularmente grave que o governo, que durante anos negou a existência da quadrilha Tren de Aragua e desconsiderou os relatos da sua expansão, procure agora apresentar como sucesso uma operação conjunta com as forças militares dos EUA para executar o homem que reconhece como fundador e principal líder desta quadrilha.
O combate ao narcotráfico e ao crime organizado não pode servir de pretexto para legitimar operações militares estrangeiras, a entrega da soberania nacional ou a presença da máquina de guerra de uma potência imperialista no nosso território.
A experiência internacional demonstra que os interesses económicos ligados ao controlo dos recursos naturais e dos territórios estratégicos fundamentam frequentemente este tipo de intervenção.
No caso do estado de Bolívar, onde se concentram reservas significativas de ouro e outros minerais, é preocupante que estas operações sirvam para consolidar o controlo das empresas transnacionais interessadas na exploração, em vez de garantir a segurança e o bem-estar das comunidades afectadas pela violência.
Além disso, o Partido Comunista da Venezuela (PCV) alerta para a gravidade da execução extrajudicial anunciada pelas autoridades norte-americanas. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da vida sem o devido processo legal.
As execuções sumárias constituem uma violação dos princípios fundamentais do direito internacional e das garantias universais dos direitos humanos. Os Estados Unidos têm estado repetidamente envolvidos em tais práticas desde que começaram a matar pessoas nas Caraíbas e no Pacífico, em meados de 2015, sob o pretexto de combater o terrorismo ou o narcotráfico.
A Constituição da República Bolivariana da Venezuela estabelece claramente a obrigação de defender a independência e a soberania da nação. Nenhum acordo obscuro entre governos pode ser colocado acima da vontade popular ou da ordem constitucional.
Perante esta nova violação da soberania nacional, o Partido Comunista da Venezuela apela aos trabalhadores, aos camponeses, aos estudantes, aos movimentos populares, às organizações democráticas e às forças patrióticas que se mantenham vigilantes e mobilizados em defesa da independência nacional, dos recursos estratégicos do país e dos direitos do povo venezuelano.
Conforme estabelece o artigo 333.º da Constituição, quando esta deixa de ser observada por atos de força ou por quaisquer meios que não os nela previstos, todo o cidadão, investido ou não de autoridade, tem o dever de colaborar para a restauração da sua efetiva validade.
A defesa da soberania não pode ser deixada nas mãos de quem a negoceia. É da responsabilidade do povo venezuelano assumir a tarefa histórica de impedir que a Venezuela se transforme numa plataforma para a dominação estrangeira e para a pilhagem imperialista.
Fora com toda a interferência estrangeira!
Pela soberania nacional e pelos direitos do povo trabalhador!
Bureau Político do Comité Central do Partido Comunista da Venezuela (PCV)
Caracas, 15 de junho de 2026