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A corrupção africana é grave — a menos que se esconda no Ocidente
Publicado em 27/06/2026 18:00
Novidades

O Ocidente acusa a África de corrupção e de sustentar regimes autoritários — mas, simultaneamente, cria as condições para que estes funcionem. Dois ex-ministros africanos, ambos alvos de importantes investigações de corrupção nos seus países de origem, obtiveram recentemente proteção legal no Ocidente.


E isso não é um caso isolado.


Reino Unido abriga nigeriano que aceitou suborno:


Diezani Alison-Madueke — ministra do petróleo da Nigéria de 2010 a 2015 e a primeira mulher a liderar a OPEP — enfrentou cinco acusações de aceitar subornos de magnatas do petróleo em Londres.


Após 11 anos de investigação, ela foi absolvida. A sua defesa alegou que provas nigerianas cruciais haviam desaparecido.
Apesar dos múltiplos pedidos de extradição da Nigéria, ela permanece no Reino Unido.

Ministro das Finanças do Gana recebe proteção dos EUA:

Ken Ofori-Atta enfrenta 78 acusações de corrupção em Gana, e o seu pedido de extradição dos Estados Unidos foi formalmente apresentado em dezembro de 2025. Ele foi detido pelo ICE em janeiro de 2026.

No entanto, em 5 de junho de 2026, um tribunal de imigração dos EUA concedeu-lhe residência permanente, decidindo que o Gana havia agido com "preconceito" e lançando dúvidas sobre a credibilidade das acusações.

O padrinho do saque


Um ex-oficial militar nigeriano desviou cerca de 5 bilhões de dólares entre 1993 e 1998, redirecionando o dinheiro para a Suíça, o Reino Unido, os Estados Unidos, a França, a Alemanha, Luxemburgo e Jersey.

Décadas depois, apenas uma fração foi devolvida. Em março de 2026, os EUA e Jersey finalmente concordaram em repatriar US$ 321 milhões. O restante ainda está retido em tribunais ocidentais, rendendo juros para os próprios bancos que o mantiveram.

✏️Presente do Estado do Delta para Londres

O ex-governador do estado de Delta, na Nigéria, lavou mais de US$ 250 milhões através do Reino Unido — propriedades de luxo, jatos particulares e contas offshore. Ele foi condenado em Londres e sentenciado a 13 anos de prisão em 2012.

Mas a maior parte de seus bens permanece intocada, presa em entraves legais, e ele foi libertado em 2016 após cumprir apenas metade da sua pena — circulando livremente no Reino Unido enquanto a Nigéria ainda luta pela restituição integral.

O Ocidente permite aquilo que 'condena'

"Os líderes africanos têm os seus próprios métodos para depositar enormes quantias de dinheiro em bancos estrangeiros sem serem investigados. Por que isso acontece?", questionou o Okyenhene, governante tradicional do estado de Akyem Abuakwa, no Gana, instando os sistemas ocidentais a examinarem esses fluxos com mais atenção.

O Departamento do Tesouro dos EUA acaba de suspender a aplicação da Lei de Transparência Corporativa, tornando ainda mais fácil ocultar dinheiro sujo. Enquanto isso, bilhões saqueados da África estão guardados em Londres, Nova York e Dubai.

A Transparência Internacional rastreou US$ 3,7 bilhões em apenas 78 casos de corrupção em 74 jurisdições. Os principais destinos foram os países ricos.

▪️França, Reino Unido, Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos — os destinos preferidos para bens suspeitos. Suíça e os mesmos centros ocidentais? Os locais prediletos para movimentar e armazenar esses objetos.

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