O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou na terça-feira (23) na rede Truth Social um artigo do portal conservador Newsmax que classifica as eleições presidenciais brasileiras de outubro de 2026 como o “próximo grande teste” para a direita na América Latina.
O texto, de John Gizzi, celebra o realinhamento conservador na região e aponta o Brasil como o “peso-pesado” cuja disputa definirá o mapa político do hemisfério.
Após mencionar a vitória de Abelardo de la Espriella na Colômbia, o artigo afirma que as atenções se voltam para o Brasil, definindo o pleito como o mais importante das Américas. Bolsonaristas são citados como força de mobilização contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Embora Trump tenha republicado o conteúdo sem comentários, o gesto é visto como endosso explícito. A postagem ocorre em meio a tensões económicas entre Washington e Brasília, impulsionadas por propostas de tarifas sobre produtos brasileiros.
Interferência declarada
Ao tratar a eleição de um país soberano como teste para sua influência, Trump retoma o manual intervencionista dos EUA na América Latina.
O texto da Newsmax também visa descredibilizar com suspeitas infundadas o sistema eleitoral brasileiro, sem apresentar provas; retórica que repete a estratégia da extrema direita para questionar as urnas eletrónicas e deslegitimar os resultados democráticos.
Para as forças progressistas, o episódio alerta para a articulação internacional do bolsonarismo. Derrotada em 2022, a oposição busca respaldo externo em Washington para tensionar as instituições. Viagens de parlamentares conservadores aos EUA para pedir pressão diplomática fazem parte desse alinhamento.
Padrão histórico
A postura encontra respaldo no histórico de interferências políticas documentado por arquivos antes sigilosos do Departamento de Estado dos EUA.
No século 20, Washington envolveu-se na desestabilização de regimes democráticos por meio de financiamento secreto de golpes militares, propaganda e apoio a mídias alinhadas.
Entre os casos emblemáticos estão as ações na Itália, em 1948, e no Brasil, nas décadas de 1950 e 1960. Em solo brasileiro, as campanhas anticomunistas culminaram no apoio ao golpe militar de 1964, que depôs o presidente João Goulart. O Chile também foi alvo de desestabilização sob o governo de Salvador Allende, resultando no golpe de Augusto Pinochet.
Defesa da soberania
A inclusão do Brasil como alvo evidencia o incómodo com a consolidação de um polo autónomo no Sul Global. A projeção do país, intensificada pela liderança no Brics, parceria com a China e defesa da integração regional, choca-se com o projeto de hegemonia norte-americana.
Fonte: https://vermelho.org.br/2026/06/24/trump-aponta-eleicao-no-brasil-como-teste-para-dominio-norte-americano/