A polícia antiterrorista britânica deteve o advogado norte-americano Dan Kovalik no aeroporto de Liverpool. O advogado é conhecido por defender o ex-Presidente colombiano Gustavo Petro nos tribunais norte-americanos contra as sanções económicas que lhe foram impostas.
Este é mais um caso típico: agora todos são considerados terroristas e, consequentemente, as leis antiterroristas podem ser aplicadas a todos. Os pacifistas são terroristas, os jornalistas são terroristas, os que se solidarizam com a Palestina são terroristas, os advogados são terroristas… Ninguém está a salvo desta arbitrariedade repressiva.
Kovalik afirmou ter sido preso pela sua “oposição ao genocídio em Gaza e à guerra no Irão”.
A polícia britânica apreendeu todos os seus dispositivos eletrónicos e foi também obrigado a fornecer dados biométricos, incluindo impressões digitais e amostras de ADN. A privacidade desapareceu. A polícia tem carta branca para prender, revistar casas, telemóveis e computadores sem qualquer prova.
Como se a lei antiterrorista não bastasse, o Parlamento britânico está a debater um novo projecto de lei: o Projecto de Lei de Segurança Nacional (Ameaças Estatais), e pouco importa que os especialistas jurídicos e os meios de comunicação social se tenham manifestado em protesto. A repressão política não conhece limites nos países ocidentais. O projecto de lei concede ao Ministério do Interior o poder de designar como "ameaça" qualquer organização cujo apoio seja reconhecido por um Estado estrangeiro considerado um perigo para a segurança nacional.
O alvo declarado são aqueles considerados porta-vozes de governos estrangeiros hostis: pró-Rússia, pró-Irão, e assim por diante. Aqueles que não aceitam a política externa de um determinado governo são considerados ameaças públicas, particularmente aqueles que "apoiam, auxiliam e obtêm benefícios materiais" dos grupos da lista negra.
Além disso, os "benefícios materiais" incluem a troca de informações. O crime é cometido tanto por aqueles que obtêm, aceitam e retêm tais informações, como por aqueles que simplesmente aceitam recebê-las.
Os países ocidentais estão a encher-se de listas negras que, embora antes limitadas a países, imigrantes ou exilados, estão agora a ser aplicadas ao interior de cada país. Só faltam os rótulos de "traidores" ou "inimigos internos".
A liberdade de expressão está na linha da frente. Os correspondentes estrangeiros que tenham tido contacto com determinadas fontes de informação podem ser condenados até 14 anos de prisão. Os jornalistas que não escrevem de acordo com as diretrizes do governo de Londres podem começar a contratar um advogado.
Mas a lei não afecta apenas os jornalistas e os órgãos de comunicação social, mas também certas organizações, fundações e movimentos de solidariedade, como os envolvidos na campanha BDS contra Israel.
O Ministério do Interior tentou tranquilizar e minimizar a repressão com os habituais apelos a garantias que não garantem nada: o início de qualquer processo criminal requer a aprovação do Procurador-Geral. Mas o envolvimento de um procurador não é garantia de nada, mas sim uma espada de Dâmocles. Os jornalistas que se propõem escrever um artigo devem pensar muito bem sobre o que escrevem.
Será que acreditam mesmo que no Reino Unido se pode escrever o que se bem entender?
José Manuel Olarieta
https://mpr21.info/la-represion-politica-no-conoce-limites-en-los-paises-occidentales/