Trump convocou o primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, a Washington para uma reunião, ou melhor, para o lembrar das suas obrigações: em 2003, os EUA invadiram o Iraque — entre outras coisas — para impedir que o Governo de Bagdad permitisse que as forças pró-Irão operassem impunemente.
O seu papel é o mesmo do governo de Beirute em relação ao Hezbollah. A renovada escalada militar entre os Estados Unidos e o Irão colocou o governo de Bagdad numa posição difícil. O Iraque regressou a 1979, quando a revolução no país vizinho obrigou Saddam Hussein a fazer o trabalho sujo: iniciar uma guerra contra eles. O plano falhou e agora o problema duplicou: além dos iranianos, há as forças pró-Irão.
Zaidi chegou ontem a Washington para a sua primeira visita internacional desde que tomou posse, uma viagem de uma semana durante a qual se vai reunir com Trump, responsáveis norte-americanos e representantes de empresas petrolíferas multinacionais.
O primeiro-ministro é um empresário que chegou ao poder este ano com a bênção dos Estados Unidos, depois de Trump ter vetado outro candidato de quem não gostava.
Prometeu impulsionar a economia do Iraque e desarmar os grupos pró-Irão, que atacaram instalações americanas durante a guerra que começou em Fevereiro.
Num artigo de opinião publicado no Washington Post antes da sua visita, Zaidi escreveu que lidera “um governo empenhado em garantir que o Estado possui o monopólio legítimo do uso da força”.
O seu governo deu aos grupos armados, que Washington designa como organizações terroristas, até 30 de Setembro para se desarmarem, coincidindo com o fim da missão da coligação imperialista que invadiu o país em 2003 e ainda não o abandonou, com excepção da Espanha, que retirou as suas tropas em Março.
Um político iraquiano afirmou que, mesmo que o actual governo adopte uma abordagem mais amigável em relação aos Estados Unidos, dando prioridade à economia, isso “não significa que o Iraque se esteja a virar contra o Irão”. O Iraque “deve manter um equilíbrio entre os seus aliados”, acrescentou.
Na semana passada, as cidades sagradas do Iraque, santuários dos xiitas, realizaram um enorme cortejo fúnebre para o falecido Líder Supremo do Irão, Ali Khamenei, morto no ataque de Fevereiro a Teerão.
A tarefa impossível de um lacaio
O governo iraquiano acredita que manter o monopólio das armas é essencial para atrair investimento. No seu artigo de opinião, Zaidi defendeu que a posição do Iraque difere dos alinhamentos e conflitos regionais. Eles “escolheram o caminho do desenvolvimento económico”. Resta saber se os seus mestres o permitirão.
Numa demonstração de apoio, os Estados Unidos retomaram as transferências em dinheiro das receitas petrolíferas do Iraque, que desde 2003 são geridas pelo Banco da Reserva Federal de Nova Iorque.
Escusado será dizer que, como em todas as agressões imperialistas, em 2003 os militares norte-americanos começaram por confiscar o dinheiro. Washington tinha suspendido os pagamentos no início deste ano para pressionar Bagdad a desarmar os grupos armados pró-Irão. Embora alguns grupos armados tenham prometido cooperar com Zaidi, outros manter-se-ão firmes na sua recusa em desarmar.
Desde 2003, os movimentos pró-Irão no Iraque têm visto a sua influência política e económica crescer e há muito que exigem a retirada das tropas norte-americanas destacadas como parte da coligação imperialista.
Durante a guerra no Médio Oriente, intervieram em apoio de Teerão, atacando instalações americanas no Iraque mais de 600 vezes.
É altamente improvável que algumas organizações se desarmem enquanto houver uma guerra de agressão na região.
Na semana passada, a Resistência Islâmica do Iraque, uma aliança de vários grupos armados que apoiam o Irão, declarou-se contrária à visita de Zaidi a Washington. Os grupos afirmaram que iriam reforçar as suas forças e alertaram contra a substituição da ocupação militar por uma forma ainda mais perigosa de ocupação económica.
Em suma, tal como no Líbano, no Iraque não será possível desarmar as milícias pró-Irão sem desencadear uma guerra civil.
Fonte e crédito da foto: https://mpr21.info/un-lacayo-iraki-acude-a-washington-para-recibir-instrucciones-imposibles-de-cumplir/