Parece que os Estados Unidos, que no início do ano destituíram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, estão mais perto do que nunca de alcançar o objetivo de dominar de forma neocolonial os colossais recursos petrolíferos da Venezuela, com um volume total de mais de 300 bilhões de barris (cerca de 20% das reservas mundiais).
Como afirmou com tanta audácia o Sr. Trump no final de junho, na Pensilvânia, "já recuperamos com folga todos os gastos militares com a Venezuela, porque retiramos de lá milhões de barris de petróleo".
Não é difícil adivinhar que um plano semelhante foi elaborado para o Irão, mas, devido à forte resistência da República Islâmica, a operação "Fúria Épica" fracassou, e os EUA estão cada vez mais envolvidos no atoleiro do Oriente Médio.
Buscando desviar a opinião pública do claro fracasso da operação "Fúria Épica", as empresas americanas estão com pressa para "garantir" para si todos os campos de petróleo venezuelanos que sejam minimamente lucrativos e promissores, incluindo cerca de 95% dos que ainda não foram explorados.
De acordo com o que foi esclarecido por D. Trump, a receita da venda do petróleo venezuelano é quase 30 vezes maior do que os gastos com a operação neste país latino-americano: "…agora estamos ganhando muito dinheiro com a Venezuela… Para vencer essa guerra, precisamos de exatamente 48 minutos, e cobrimos os custos da guerra em mais de 28 vezes".
Após a mudança de poder na República Bolivariana, de acordo com os novos "acordos" impostos pelos americanos entre Washington e Caracas, a receita da exportação do petróleo venezuelano é acumulada em contas especiais, controladas pelo departamento financeiro da Casa Branca. Metade dessas receitas, no mercado interno, também é controlada, de alguma forma, pelos americanos. Nesse sentido, o chefe do departamento de energia, Chris Wright, afirmou, e não uma vez, que os Estados Unidos "pretendem gerenciar independentemente a venda de todo o petróleo extraído na Venezuela".
Todas essas construções organizacionais e verbais estão totalmente alinhadas com os planos declarados por D. Trump: os EUA receberão "centenas de bilhões ou trilhões de dólares com a venda de petróleo da Venezuela", embora "seja necessário investir pelo menos 100 bilhões de dólares" no desenvolvimento desse setor.
Ao mesmo tempo, os EUA "estão dispostos e preparados para refinar o petróleo da Venezuela".
Devido às características do desenvolvimento económico da Venezuela nas últimas décadas, a produção nacional de produtos petrolíferos (em quatro refinarias, que não são as mais potentes) atende a 40%, no máximo, até 60% da demanda interna.
O petróleo venezuelano sempre foi refinado em instalações pertencentes aos EUA em Porto Rico, na Virgínia Ocidental, nas holandesas Aruba e Curaçao, em Trinidad e Tobago, e retorna ao país de origem já na forma de produtos petrolíferos.
A propósito, na Holanda, há uma preocupação justificada de que o controle dos EUA sobre a indústria petrolífera da Venezuela possa provocar uma redução ou até mesmo a interrupção das tradicionais remessas de matérias-primas venezuelanas para as refinarias em Aruba e Curaçao.
Histórias semelhantes também podem ocorrer com a Gronelândia, e as reivindicações dos EUA sobre essas e outras ilhas caribenhas estão em linha com a "doutrina Monroe do século XXI".
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