"Os governos europeus devem ter em mente que disponibilizar bases e território ao agressor os colocará entre os agressores. Espera-se que a Europa seja defensora da diplomacia, não seguidora da força do agressor", afirmou Kazem Qaribabadi, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão para Assuntos Jurídicos e Internacionais, numa publicação na sua conta de Twitter na quarta-feira.
As declarações do alto diplomata surgem depois de a agência noticiosa norte-americana Bloomberg ter noticiado, na terça-feira, que o novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, autorizou os Estados Unidos a continuarem a utilizar bases militares britânicas para determinadas operações contra o Irão, incluindo as de Diego Garcia e a base da Royal Air Force em Fairford.
O vice-ministro iraniano indicou que esta mensagem foi transmitida durante uma reunião com 25 embaixadores e encarregados de negócios europeus, na qual expôs a posição da República Islâmica do Irão sobre os recentes acontecimentos e as ações criminosas dos Estados Unidos.
Afirmou ainda que o Irão infligiu uma pesada derrota aos agressores durante a guerra de 40 dias e assegurou que, em caso de novas agressões militares, o país defenderá resolutamente o seu território e os seus interesses nacionais.
Qaribabadi argumentou ainda que estas guerras não trouxeram ganhos estratégicos para os Estados Unidos e, pelo contrário, colocaram em risco a paz e a segurança regional e internacional.
O alto responsável iraniano instou os países europeus a respeitarem a Carta da ONU e o direito internacional e a condenarem a agressão.
Neste contexto, sublinhou que a Espanha está entre os poucos países europeus que adoptaram uma postura de princípios.
Os Estados Unidos e o regime israelita lançaram a sua guerra de agressão ilegal contra o Irão a 28 de Fevereiro. No entanto, quarenta dias depois, a 8 de Abril, os inimigos foram obrigados a aceitar um cessar-fogo face à corajosa resistência iraniana e às bem-sucedidas operações de retaliação.
A 17 de junho, Teerão e Washington assinaram o Memorando de Entendimento (MoU), intermediado pelo Paquistão, para pôr fim a todas as hostilidades e preparar novas negociações.
Contudo, os EUA violaram todas as disposições do acordo e intensificaram os seus ataques militares contra o Irão na semana passada, levando Teerão a responder com uma forte retaliação e a fechar o Estreito de Ormuz. Segundo as autoridades iranianas, os ataques aéreos dos EUA danificaram infraestruturas civis, incluindo hospitais e pontes, fazendo 517 feridos e mais de 50 mortos até ao momento, entre mulheres e crianças.
O Irão respondeu com a Operação Nasr (Vitória)-2, executada pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), e a Operação Saeqe (Relâmpago), levada a cabo pelo Exército iraniano, que têm como alvo alvos dos EUA em vários países da região.
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