O incidente ocorre após uma série de intrusões na infraestrutura hídrica dos EUA no mês passado, que afetaram pelo menos 12 estados.
As autoridades britânicas recusaram-se a divulgar qual a instalação alvo do ataque, segundo o Sunday Telegraph (1). Um porta-voz do Departamento de Segurança Energética afirmou que o ataque afetou um “gerador de energia de pequena escala” e não representou “risco para o sistema energético em geral”. O governo britânico informou os responsáveis das empresas de eletricidade.
O ataque parece marcar uma escalada após a decisão do Reino Unido de conceder aos EUA permissão para lançar “operações defensivas” contra o Irão a partir de bases britânicas.
Em março, o governo do primeiro-ministro Keir Starmer concedeu permissão militar dos EUA para utilizar a base da Royal Air Force em Fairford e a instalação conjunta em Diego Garcia para operações limitadas contra locais de mísseis iranianos que “ameaçassem diretamente o pessoal britânico”, aliados regionais ou ativos soberanos. A autorização foi posteriormente alargada, permitindo aos Estados Unidos lançar ataques contra a infra-estrutura activa de mísseis do Irão, visando rotas de navegação comercial de petróleo no Estreito de Ormuz.
Em Junho, o colectivo Handala de hackers iranianos reivindicou a responsabilidade por uma intrusão cibernética contra instalações de água na Califórnia, afirmando que a acção foi realizada em retaliação pelos ataques dos EUA à infra-estrutura hídrica no sul do Irão (2). O coletivo disse ter obtido dados dos sistemas e descreveu a violação como um aviso a Washington. O Handala admitiu ser capaz de interromper o abastecimento de água, mas “deixou de cortar o fornecimento de água às cidades americanas”, citando um código ético diferente do dos seus adversários. Os hackers disseram ainda ter divulgado cinco gigabytes de dados como prova da intrusão.
Em abril, o coletivo acrescentou ter obtido pelo menos 19 mil ficheiros confidenciais após ter atacado o telefone pessoal do antigo chefe do Estado-Maior do Exército israelita, Herzi Halevi. “Todas as suas instalações ultrassecretas, salas de crise, mapas e até os mais pequenos detalhes dos seus centros de comando sempre foram do domínio público para nós”, afirmaram num comunicado publicado no seu site. Os ficheiros mostravam Halevi reunido com as autoridades árabes. Numa foto sem data tirada no Qatar, Halevi aparece a participar numa reunião com o ex-chefe do Comando Central dos EUA (Centcom), Michael Kurilla.
(1) https://www.telegraph.co.uk/news/2026/08/22/iranian-hackers-shut-down-uk-power-plant/ (2) https://www.dataminr.com/resources/intel-brief/cyber-intel-brief-handala-claims-breach-of-california-water-service/
https://mpr21.info/piratas-informaticos-iranies-obligan-a-cerrar-una-planta-de-energia-britanica-durante-cuatro-dias/