Dizer que os Estados Unidos estão “a tomar conta do petróleo da Venezuela” é uma simplificação. Mas dizer que se trata apenas de um negócio normal entre uma empresa petrolífera e um Estado seria também esconder uma parte essencial da realidade. O que está a ser negociado nos bastidores é que é a questão: quem vai controlar, durante os próximos anos, a exploração, a produção, a comercialização e, em parte, o destino financeiro do petróleo venezuelano.
As noticias dizem que o governo de Trump está próximo de um acordo para garantir aos Estados Unidos acesso de longo prazo a determinados campos petrolíferos venezuelanos. Estão em causa cerca de 17 campos, alguns no Orinoco e no Lago de Maracaibo, que poderão ser entregues à exploração de empresas americanas através de contratos de arrendamento, concursos ou outros modelos ainda em discussão. A produção desses campos seria destinada, em condições a definir, a garantir abastecimento aos Estados Unidos.
Isto não significa que Washington passe a ser juridicamente proprietário das reservas venezuelanas. E essa distinção é importante. O petróleo continua a ser, em princípio, recurso soberano da Venezuela. O que pode mudar é outra coisa: quem tem o direito de o explorar, quem controla a operação, quem investe, quem vende, quem recebe primeiro o dinheiro e como esse dinheiro regressa ao país.
Mas os acordos estão a ser negociados com o actual poder transitório venezuelano. E isso levanta uma pergunta legítima: pode um governo de transição comprometer durante décadas o principal recurso económico do país? As noticias assinalam que o eventual acordo poderá enfrentar questões constitucionais e jurídicas. É por isso que o futuro governo democraticamente eleito da Venezuela deveria ter uma palavra decisiva. Ficará isso expresso naquilo que agora for acordado?
É que uma confrontação com os americanos faria retornar a "grande questão". Tem a Venezuela e a comunidade internacional capacidade politica - para não dizer militar - de enfrentar as politicas atuais de Trump? Quando é que o Mundo politico global ACORDA para o que se está a passar em 2026 com o IMPERIALISMO americano? Quando é que deixa de ser só a China, Irão, Rússia e poucos mais a fazer frente à "doença económica" que atingiu a politica americana? Para que serve a "democracia europeia" se andam os dirigentes com um medo irracional da "invasão da Rússia" e estão - todos os dias - a ser invadidos, em todos os setores, por Trump e pela sua politica?
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