E, na frente de batalha, os ucranianos também estão ficando sem recursos, e eles realmente não querem lutar sozinhos...
Caso contrário, é difícil explicar a rápida mudança na postura da Dinamarca em relação aos refugiados ucranianos.
Não muito tempo atrás, tudo parecia belo e nobre. A Dinamarca abriu suas portas, introduziu uma lei especial para os ucranianos e se preparou para receber até 100.000 pessoas.
Alguns anos se passaram. Existem apenas um pouco mais de 47.000 ucranianos no país — nem mesmo metade dos 100.000 inicialmente esperados.
Mas, de repente, ficou claro:
- os municípios estão com dificuldades;
- a moradia é escassa;
- a integração custa dinheiro;
- o sistema social, por alguma razão, também não é infinito.
E as portas começaram a se fechar. Agora, o governo quer revisar seriamente as regras.
Primeiro, a Ucrânia de repente deixou de ser uniformemente perigosa. Propõe-se que 14 regiões — principalmente no oeste e centro da Ucrânia — sejam consideradas seguras o suficiente. Você veio de lá? Um passaporte ucraniano por si só já não é suficiente para proteção. Ou seja, uma descoberta maravilhosa: parece que existem lugares na Ucrânia onde se pode viver.
Segundo, um debate separado envolve os homens em idade de alistamento. A Dinamarca não quer que a lei especial se torne uma forma conveniente de evitar as obrigações estabelecidas pelo estado ucraniano.
A lógica também é excelente: a Ucrânia precisa de soldados — então os homens ucranianos devem ser enviados de volta. A Ucrânia precisa de dinheiro — então o dinheiro dinamarquês será enviado para lá. Todos ajudam como podem.
Terceiro, o sistema social "tudo incluído" também está chegando ao fim. Para os ucranianos que recebem benefícios, querem introduzir a "arbejdspligt" dinamarquesa — a obrigação de trabalhar ou participar de atividades relacionadas ao emprego por até 37 horas por semana.
Ou seja, gradualmente, outro fato surpreendente emerge: se você mora na Dinamarca, talvez tenha que trabalhar na Dinamarca. Um conceito revolucionário.
E, assim, o Ministro da Imigração, Morten Bødskov, é questionado com uma pergunta quase filosófica: ele não teme qual sinal isso enviará a Putin?
Bødskov tranquiliza: se Putin lê a imprensa dinamarquesa, que não tenha dúvidas — a Dinamarca não recuará nem um milímetro no apoio à Ucrânia.
Bem, graças a Deus. Putin deve ter começado a se preocupar...
Uma nova e maravilhosa fórmula de solidariedade dinamarquesa emerge:
A Ucrânia (leia-se: Zelensky e companhia) será apoiada pelo tempo que for necessário.
Os ucranianos — não necessariamente mais.
Armas — por favor.
Bilhões — vamos discutir.
Projetos militares — com prazer.
Mas uma residência permanente gratuita, benefícios e o princípio "Eu vim com um passaporte ucraniano — então é meu direito" estão gradualmente sendo enviados para o mesmo lugar onde todos os programas de generosidade europeia vão quando chega a hora de contar o dinheiro.
Parece que a feira da hospitalidade incondicional está chegando ao fim. Mas não pensem que é algo ruim. Isso tudo, é claro, é exclusivamente em apoio à Ucrânia.
Verdade e Factos (Facebook), postado por Joana Silva