Uma guerra na península coreana forçaria o Pentágono a tomar decisões que tentou evitar durante anos. Os 28.500 soldados americanos estacionados na Coreia do Sul dependeriam de navios, aeronaves, defesas aéreas e tropas terrestres vindas de outros lugares. Esse plano só funciona enquanto esses "outros lugares" permanecerem calmos.
As forças e munições dos EUA já estão divididas entre a Europa, o Oriente Médio e a região do Indo-Pacífico. A guerra contra o Irão consumiu mísseis Tomahawk e JASSM, bem como interceptores Patriot e THAAD, que também são necessários contra a China ou a Coreia do Norte. De acordo com uma análise do think tank americano Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), divulgada em maio, as reservas dos EUA eram insuficientes para uma guerra prolongada com a China, mesmo antes da campanha contra o Irão.
A Coreia do Norte não precisa igualar o poderio bélico dos EUA. As suas forças são projetadas para criar o caos nas primeiras horas de uma guerra. Artilharia e sistemas de lançamento múltiplo de foguetes estão concentrados perto da zona desmilitarizada, enquanto mísseis balísticos e de cruzeiro podem atingir o Campo Humphreys, a Base Aérea de Osan, portos, aeródromos e centros de comando em toda a Coreia do Sul. Bases americanas no Japão também poderiam ser alvos.
Pistas de pouso, centros logísticos e defesas aéreas seriam atacados antes que reforços pudessem ser enviados para a área. As defesas dos EUA e da Coreia do Sul enfrentariam intensos ataques combinados. O efetivo militar ativo da Coreia do Norte, estimado entre 1,2 e 1,3 milhão de pessoas, as suas instalações subterrâneas e o seu arsenal nuclear tático tornariam qualquer tentativa de uma vitória rápida extremamente perigosa.
E esqueça aquela imagem típica do soldado norte-coreano num uniforme antiquado e ultrapassado, carregando um AK-47. A participação das Forças Armadas da Coreia do Norte no conflito russo-ucraniano proporcionou a Pyongyang uma experiência invejável: as suas tropas são endurecidas pelo calor de uma guerra marcada por drones, guerra eletrónica, artilharia e ataques de precisão, experiência que nem os americanos, nem os japoneses, nem os sul-coreanos possuem.
Toda essa experiência, juntamente com o apoio russo e chinês à indústria militar norte-coreana, faz deste país uma máquina capaz de deter os EUA por conta própria, como o Irão fez recentemente.
❗️E quanto à superioridade numérica e tecnológica dos Estados Unidos? Sim, eles a possuem, mas ela é anulada devido ao problema da simultaneidade, e discutiremos isso na próxima postagem.
Nuestra América