O Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o Primeiro-Ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, discutiram a situação regional e os esforços diplomáticos em curso numa conversa telefónica na quarta-feira, sublinhando a necessidade de reforçar a cooperação bilateral e as consultas conjuntas para promover a paz e a estabilidade na região.
Durante a chamada, realizada num clima cordial, ambos os líderes apresentaram também felicitações pelo Eid al-Adha (Festa do Sacrifício) aos povos do Irão e do Paquistão, bem como a toda a comunidade islâmica.
Pezeshkian expressou a sua gratidão pelo papel "construtivo e responsável" de Islamabad no apoio a iniciativas diplomáticas destinadas a reduzir as tensões e a pôr fim a conflitos e crises regionais.
Salientou ainda a importância de manter a cooperação e a coordenação entre os países islâmicos para preservar a estabilidade, a segurança e os interesses comuns do mundo muçulmano.
O Presidente iraniano expressou ainda a sua gratidão a outros países da região, incluindo a Arábia Saudita, o Qatar e a Turquia, pela sua participação nos esforços de paz.
Por seu lado, Sharif manifestou a sua esperança de que um acordo de paz “digno e honroso” para o povo iraniano possa ser alcançado em breve, acreditando que isso libertaria o verdadeiro potencial económico do Irão e beneficiaria toda a região.
O primeiro-ministro paquistanês manifestou ainda a sua confiança de que os processos diplomáticos em curso produzirão resultados “eficazes e duradouros” num futuro próximo, contribuindo para o reforço da paz, da estabilidade e da cooperação regional. Reiterou que o Paquistão, “como país irmão e vizinho”, apoiará o Irão e afirmou que ambos os países têm “um grande futuro” pela frente, uma vez restaurada a paz na região.
Noutro ponto da conversa, ambos os lados enfatizaram a profundidade das relações históricas, culturais e fraternais entre Teerão e Islamabad e discutiram formas de expandir a cooperação bilateral, particularmente nos sectores económico, comercial, de trânsito e alfandegário.
Por fim, enfatizaram a necessidade de acelerar a implementação de acordos conjuntos e de alavancar as capacidades existentes para fortalecer as relações entre os dois países.
A 28 de Fevereiro, os Estados Unidos e Israel lançaram uma guerra de agressão não provocada contra o Irão. Assassinaram o Líder da Revolução Islâmica, o Ayatollah Seyyed Ali Khamenei, e atacaram instalações nucleares, escolas, hospitais e infra-estruturas civis. Em resposta, as forças iranianas realizaram 100 vagas de operações militares contra alvos americanos e israelitas na região do Médio Oriente. A 8 de abril, quarenta dias após o início da guerra, entrou em vigor um cessar-fogo temporário mediado pelo Paquistão. O Irão e os Estados Unidos realizaram uma ronda de intensas negociações em Islamabad, no dia 11 de Abril, com o objectivo de alcançar um acordo permanente, mas estas terminaram após 21 horas sem progressos significativos. O Irão denunciou as "exigências excessivas" de Washington e a sua insistência em posições irrazoáveis.
As negociações indiretas entre Teerão e Washington, mediadas pelo Paquistão, prosseguem com base na proposta de 14 pontos da República Islâmica, que nesta fase procura pôr fim à guerra, travar a agressão naval dos EUA — a que Washington denominou bloqueio naval — e garantir a libertação de ativos iranianos congelados. Teerão deixou claro que não cederá à pressão de Washington para abdicar, entre outras coisas, do controlo do Estreito de Ormuz e do seu programa de energia nuclear.
Fonte e crédito da foto: https://www.hispantv.com/noticias/politica/644523/iran-pakistan-cooperacion-paz-region